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Rio de Janeiro - A indenização concedida
hoje (4) pela Comissão de Anistia
do Ministério da Justiça à viúva do jornalista David Capistrano foi a primeira de um processo que inclui 20 jornalistas
perseguidos no período de 1946 a 1988 e está sendo julgado nesta tarde na
Associação Brasileira de Imprensa. É a primeira apreciação julgada
fora de Brasília e marca o lançamento da Caravana da Anistia no Rio
de Janeiro. A
caravana tem o objetivo de reparar economicamente as vítimas de
perseguições políticas e também de difundir conhecimentos históricos,
despertando na sociedade a discussão sobre o período ditatorial e as
suas graves conseqüências sobre o regime democrático do país. Na homenagem a David Capistrano, militante comunista que
desapareceu em 1974, entre as cidades de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, e São Paulo, o passado do jornalista foi lembrado com uma série de fotos. O jornalista pernambucano chegou
a dirigir os periódicos Folha do Povo e a A Hora, no seu estado de
origem. Após o golpe militar, passou a viver clandestinamente no Brasil
e se asilou na antiga Checoslováquia . “Devemos
manter viva a chama do ideal de todos aqueles que morreram pelo
Brasil”, disse Maria Augusta de
Oliveira, viúva do jornalista. Maria Augusta, que tem quase 90 anos, vai receber uma indenização mensal de
R$ 3.444, retroativa a dezembro de 2001. Também foi homenageado o jornalista Vladimir Herzog, morto em 1975 por agentes do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna), órgão repressivo durante o regime militar.
Na solenidade, o filho de Herzog, Ivo, tentou imaginar como estaria hoje o pai, que foi assassinado aos 38 anos. “Muitas vezes passa pelo meu pensamento: o que meu pai estaria fazendo se ainda estivesse entre nós? Seria ministro? Diretor de jornal? Talvez um grande cineasta. Estaria
com dengue? Só sei que seriam duas coisas: meu pai e um homem externando
suas indignações contra o que ferisse seus princípios, sua ética”,
disse Ivo Herzog. Segundo
o ministro da Justiça, Tarso Genro, além de conceder indenização às vítimas de perseguições políticas, a
comissão serve para “transformar a anistia também em um projeto
pedagógico, de edificação democrática, para que os brasileiros conheçam
e não se esqueçam do seu passado”. A
Comissão de Anistia, criada em 2001, analisa os pedidos de indenizações
formuladas por pessoas que julgam ter sido impedidas de exercer
atividades profissionais ou econômicas por motivação exclusivamente
políticas entre 1946 e 1988. Desde então, já foram julgados mais de
37,2 mil requerimentos, de um total de 60 mil. Segundo
a comissão, a meta é zerar a pauta até 2010. A média das indenizações
em parcelas mensais é de R$ 3,7 mil, e a prestação única tem ficado em
torno de R$ 56 mil.
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