|
Brasília - As pessoas com deficiência devem buscar atendimento nas
escolas públicas regulares, apesar do despreparo dos estabelecimentos de ensino
para recebê-las adequadamente. A recomendação é feita tanto pelo Ministério da
Educação (MEC) quanto pela Organização Não-Governamental (ONG) Instituto Brasileiro de
Defesa dos Deficientes (IBDD).
De acordo com o último Censo Escolar do MEC, relativo a
2006, apenas 12,8% das escolas públicas do ensino básico são consideradas
acessíveis do ponto de vista arquitetônico. As que têm sanitários adaptados estão
limitadas a 7,5% e as que contam com dependências e vias adequadas são 5,2% do
total.
Para Andrei Bastos, responsável pela área de comunicação do
IBDD, a falta de acessibilidade ocorre não só do ponto de vista arquitetônico,
mas também de mobiliário, das ferramentas educacionais necessárias para tipos
diferentes de deficiências e da falta de preparo dos profissionais.
Ele acredita, no entanto, que, mesmo diante das limitações das
atuais redes de ensino, as famílias devem matricular seus filhos com necessidades
especiais para forçar o sistema a aprimorar seu atendimento.
“As pessoas [com deficiência] não têm de esperar que o Poder Público primeiro promova a estrutura para procurar a escola. Têm de ir à
escola, têm de cobrar, têm de exigir porque é um direito cidadão,
como qualquer outro”, defende.
A opinião de Misiara Oliveira, da Secretaria de Educação
Especial do MEC, é semelhante. Segundo ela, os estabelecimentos só vão melhorar
sua estrutura a partir da presença dessas pessoas com deficiência.
“Nós compreendemos que esse preparo se dá justamente a partir
da presença desse aluno com características diferenciadas, como cada um dos
demais que compõem uma turma. Essa presença é que vai fazer com que aquele
sistema de ensino, aquela escola, aquele grupo passe a refletir e a alterar sua
cultura e seu comportamento em relação a essa diversidade”, diz.
Para Oliveira, a principal causa da exclusão escolar das
pessoas com deficiência é cultural. “Há um preconceito muito forte na sociedade
brasileira em relação às pessoas com deficiência, fruto de uma construção
histórica e cultural que ainda não foi superada", disse em entrevista à Agência
Brasil, ao comentar a ampliação do programa Benefício de Prestação Continuada (BPC) na escola a partir da
adesão de estados e municípios. O programa interministerial busca definir
políticas públicas para aumentar o acesso e a freqüência à escola de crianças e
jovens com deficiência que recebem ajuda financeira do governo federal. Hoje, apenas
cerca de 30% deles estão na escola.
A representante do MEC destacou que embora a exclusão escolar seja registrada
também entre pessoas com deficiência não-beneficiárias do BPC as situações são
diferentes.
“O BPC é um recorte das pessoas de baixa renda e para elas,
sem dúvida, a exclusão é muito mais presente. Para famílias de classe média, com
melhores condições econômicas e de informação, se um equipamento público, como
uma escola, não lhes atende de imediato, elas vão buscar outros recursos,
enquanto aquela família que depende unicamente da estrutura pública fica à sua
mercê”, defende.
|
|