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6 de Abril de 2008 - 11h02 - Última modificação em 6 de Abril de 2008 - 11h42


Exclusão escolar é mais grave para pessoas com deficiência mental, diz ativista

Adriana Brendler
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Crianças e jovens com necessidades especiais no país encontram dupla dificuldade para estudar, pois a maioria, além de ter nascido com deficiências mentais, é oriunda de famílias pobres. A avaliação é de Andrei Bastos, responsável pela área de comunicação da Organização Não-Governamental (ONG) Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD).

De acordo com ele, no universo de pessoas com necessidades especiais, é possível apontar dois grupos distintos: adultos, que em grande parte adquiriram deficiências ao longo da vida por vários fatores, como acidentes depois de já terem freqüentado a escola, e crianças e jovens, que na sua maioria apresentam deficiências mentais ou paralisia desde o nascimento. A grande parte desses últimos casos é decorrente de problemas no parto de mulheres carentes que não receberam atendimento médico adequado.

Para Bastos, abrir as portas das escolas com o objetivo de superar o preconceito não é suficiente para incluir o segundo grupo de pessoas, pois o problema a ser enfrentado não é somente cultural, mas também técnico.

Segundo ele, para o aprendizado de pessoas com deficiências físicas ou sensoriais, como cegueira ou surdez, bastam acessibilidade e ferramentas educacionais adequadas, mas para outros casos, como o da Síndrome de Down, há necessidade da complementação do ensino regular em classes especiais no contra-turno.

Ele ressaltou que, embora as deficiências mentais não impeçam necessariamente o desenvolvimento intelectual, as pessoas com esses problemas têm dificuldades maiores de aprendizado e sua inclusão educacional só irá ocorrer com a atenção diferenciada.

”Esta é a nossa discussão na educação inclusiva. Uma pessoa com Síndrome de Down, por exemplo, pode acompanhar a escola convencional até um certo ponto, a partir dela precisa receber atenção especial. A escola convencional pode incorporar ferramentas do ensino especial em parte, mas uma pessoa com uma deficiência mental ou outro tipo de problema, como a Síndrome de Down, precisa dos dois atendimentos para sua inclusão social na educação, pois se ficar só na educação convencional, ela vai ficar pra trás na turma”, defende.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Censo 2000, 617 mil pessoas com idade entre 0 e 17 anos apresentam deficiência mental no país. Segundo o Censo Escolar 2006 do MEC, 291 mil alunos com deficiência mental estavam matriculados no país naquele ano, representando cerca de 30% do total de 700 mil matrículas de pessoas com necessidades especiais.

Para Andrei Bastos,a atenção específica necessária para viabilizar o aprendizado das pessoas com deficiência intelectual ainda não é uma prática nas escolas regulares do país e com isso o aumento das matrículas, sem o atendimento especializado, vem criando problemas de discriminação. “As pessoas até estão freqüentando (a escola), mas ficam de lado e isso é até pior porque acaba sendo uma discriminação, uma segregação” afirma.

Ainda de acordo com último Censo Escolar do MEC, em 2006, dos 325 mil alunos com deficiência que estudavam em salas de aula comuns, menos da metade (136 mil) teve apoio pedagógico especializado, enquanto 188 mil não contaram com esse tipo de acompanhamento.



 

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