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5 de Abril de 2008 - 14h09 -
Última modificação
em 5 de Abril de 2008 - 15h56
Em 10 anos, número de alunos inscritos no Enem cresceu mais de 20 vezes
Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil
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Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
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Sobradinho (DF) - Alunos assistem às aulas no Centro de Ensino Fundamental Fercal. Escola obteve a menor média no Enem entre as escolas públicas do Distrito Federal
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Brasília - Em 2008, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) completa 10
anos. Desde 1998, já avaliou o desempenho de 18.114.251 estudantes
de escolas públicas e particulares que concluíram a educação básica. A primeira
edição contou com a participação voluntária de pouco mais de 157 mil estudantes
e em 2007 o número de inscritos chegou a 3,5 milhões.
Para o diretor de Avaliação da Educação Básica do Ministério
da Educação, Amaury Gremaud, a evolução do número de inscritos teve dois
grandes picos. O primeiro em 2001, quando os alunos de escola pública passaram
a ter isenção da taxa de inscrição. Mas a adesão total veio em 2005 com a criação do Programa Universidade Para Todos (ProUni). A nota do Enem é utilizada pelo programa como
critério de seleção para concessão de bolsas de estudo em instituições privadas
de ensino superior.
“Com o Prouni a gente tem uma possibilidade de inclusão de
pessoas que a gente não tinha antes, e o Enem cumpre um papel importante nesse
ponto”, avalia.
Um dos próximos desafios apontados pela coordenação do
programa é chegar a mais municípios. Na edição de 2007, as provas foram
aplicadas em cerca de 1.300 locais e a previsão para 2008 é chegar a 1.414
cidades. Para o coordenador-geral do Enem, Dorivan Ferreira Gomes, o ideal
seria estar presente em todos os municípios brasileiros.
“Mas também tem de haver a participação, o exame não é
gratuito para o Inep [Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais], a gente paga para isso. Não adianta a pessoa se inscrever
e não ir, porque a gente monta uma estrutura logística muito grande pra isso.
Tem de ser uma ampliação paulatina”, explicou.
Para a professora Maria Laura Puglisi, pesquisadora da
Fundação Carlos Chagas, a iniciativa é importante, mas a prova deveria atentar
para aspectos regionais que podem “prejudicar alguns alunos e favorecer outros”.
“As questões não são necessariamente próximas a todos os alunos levando em
conta a diversidade que existe no nosso país. Alunos de escola pública, por
exemplo, tendem a ter um desempenho muito diferente da escola particular, isso
complica um pouco na hora da aferição dos resultados”, explica.
O diretor de Avaliação da Educação Básica do MEC afirma que os itens da prova são produzidos em diversas partes do
país. “Se você olhar a prova, ela está muito focada no raciocínio, leitura e
compreensão de textos. As matrizes do Enem permitem que ele seja um exame
nacional”, defende.
O educador José Dias Sobrinho, que participou da formulação do
Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras (Paiub), em
1993, lembra que os exames em geral não podem ser ferramenta única para se ter
uma radiografia do ensino. “O valor desses exames é sempre muito relativo, eles
mostram desempenho e não a qualidade da educação. Deveria haver instrumentos
quantitativos e qualitativos que dessem conta da complexidade do setor
educativo”, diz.
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