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6 de Abril de 2008 - 16h28 - Última modificação em 6 de Abril de 2008 - 18h59


Zerar déficit de vagas em presídios precisaria de R$ 6 bilhões, diz diretor do Depen

Mariana Jungmann
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Seriam necessários pelo menos R$ 6 bilhões para reformar, ampliar e construir novos presídios no Brasil e, assim, dar conta do déficit de 275.194 vagas que existe hoje no sistema prisional. A afirmação é do diretor-geral do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Maurício Keuhne.  "Ainda assim, daqui a cinco anos teríamos déficit de novo”, diz.

Keuhne faz uma previsão otimista quanto à quantidade de vagas que faltam no sistema. O número apontado por ele corresponde a cerca de 50% dos 422 mil presos que existem atualmente. Um estudo divulgado na última semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que o déficit de vagas nas penitenciárias brasileiras está em 70%.

A contribuição financeira do governo federal para o setor vem do Fundo Penitenciário Nacional, que este ano conta com R$ 550 milhões para dividir entre todas as unidades da federação. Segundo o diretor, os outros 90% que faltam deveriam vir dos estados, que são os responsáveis, por lei, pelas penitenciárias. “A União não tem obrigação de prover todos os recursos para os estados”, diz Keuhne.

Ele alega que é difícil, no entanto, contar com a compreensão dos governadores nesse sentido. “A questão penitenciária sempre foi jogada no esquecimento. A sociedade sempre preferiu ignorar o problema”, acrescenta.

Mesmo assim, Maurício Keuhne conta que a maioria dos estados já está elaborando o Plano Diretor, que foi proposto pelo Ministério da Justiça e deve conter 22 metas. Entre elas está a capacitação de profissionais para que os estabelecimentos funcionem como ressocializadores, além de tecnologia que iniba o ingresso de drogas, armas e celulares nos presídios.

O diretor do Depen lista algumas sugestões para que a diminuição do déficit de vagas saia mais barata. Uma delas é estruturar juízes e defensoria pública para que os presos menos perigosos (que são cerca de 30% do contingente atual) tenham acesso a direitos como a progressão de pena, com a qual podem cumprir o tempo de prisão em regime aberto ou semi-aberto.

Além disso, 40% dos presos são provisórios e não precisariam estar todos na prisão. Existe ainda a possibilidade de penas alternativas. Ele acredita que se juntassem todos esse casos, o déficit se reduziria à metade sem aumentar o risco para a sociedade.

“Nós temos muito mais criminosos condenados soltos que dentro das prisões. Existem mais de 550 mil mandados de prisão expedidos e não cumpridos porque não há vagas, então o Estado finge que não vê. Esses criminosos podem ser muito mais perigosos que muitos que estão dentro das cadeias”, afirma.



 


  ASSUNTOS DESTA NOTÍCIA

  •   VÍDEO

    Monitoramento de presos

    Entra em fase de teste, em Minas Gerais, o sistema de monitoramento eletrônico de presos. A utilização de rastreamento eletrônico em presos que cumprem parte da pena fora da prisão foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados no final de 2007. Saiba mais sobre esse procedimento

 

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