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Brasília - Seriam necessários pelo menos R$ 6 bilhões para reformar, ampliar e
construir novos presídios no Brasil e, assim, dar conta do déficit de 275.194
vagas que existe hoje no sistema prisional. A afirmação é do diretor-geral do Departamento
Penitenciário Nacional (Depen), Maurício Keuhne. "Ainda assim, daqui a cinco anos
teríamos déficit de novo”, diz.
Keuhne faz uma previsão otimista quanto à quantidade de vagas que faltam no
sistema. O número apontado por ele corresponde a cerca de 50% dos 422 mil
presos que existem atualmente. Um estudo divulgado na última semana pelo
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que o déficit de vagas
nas penitenciárias brasileiras está em 70%.
A contribuição financeira do governo federal para o setor vem do Fundo Penitenciário
Nacional, que este ano conta com R$ 550 milhões para dividir entre todas as
unidades da federação. Segundo o diretor, os outros 90% que faltam deveriam vir
dos estados, que são os responsáveis, por lei, pelas penitenciárias. “A União não
tem obrigação de prover todos os recursos para os estados”, diz Keuhne.
Ele
alega que é difícil, no entanto, contar com a compreensão dos governadores nesse sentido. “A
questão penitenciária sempre foi jogada no esquecimento. A sociedade sempre
preferiu ignorar o problema”, acrescenta.
Mesmo assim, Maurício Keuhne conta que a maioria dos estados já está elaborando o Plano
Diretor, que foi proposto pelo Ministério da Justiça e deve conter 22 metas.
Entre elas está a capacitação de profissionais para que os estabelecimentos
funcionem como ressocializadores, além de tecnologia que iniba o ingresso de
drogas, armas e celulares nos presídios.
O diretor do Depen lista algumas sugestões para que a diminuição do déficit
de vagas saia mais barata. Uma delas é estruturar juízes e defensoria pública para
que os presos menos perigosos (que são cerca de 30% do contingente atual)
tenham acesso a direitos como a progressão de pena, com a qual podem cumprir o
tempo de prisão em regime aberto ou semi-aberto.
Além disso, 40% dos presos são provisórios e não precisariam estar todos na
prisão. Existe ainda a possibilidade de penas alternativas. Ele acredita que se
juntassem todos esse casos, o déficit se reduziria à metade sem aumentar o
risco para a sociedade.
“Nós temos muito mais criminosos condenados soltos que dentro das prisões.
Existem mais de 550 mil mandados de prisão expedidos e não cumpridos porque não
há vagas, então o Estado finge que não vê. Esses criminosos podem ser muito
mais perigosos que muitos que estão dentro das cadeias”, afirma.
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