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Brasília - De acordo com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), cerca de 85%
dos presos que são soltos cometem novos crimes. Para reduzir esse índice de
reincidência, Helder Ferreira, autor do estudo Sistema de Justiça Criminal no
Brasil: Quadro Institucional e um Diagnóstico de sua Atuação, divulgado pelo
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), diz que a solução passa pelo
trabalho educativo dentro das prisões e pelo acompanhamento do preso quando sai
delas.
“É como numa escola. Lá precisa haver uma qualidade mínima e um número
máximo de alunos dentro de uma sala para que o professor possa fazer um bom
trabalho. Nos presídios é a mesma coisa. Se você tem superlotação, os próprios
funcionários não vão conseguir fazer um bom trabalho”.
Segundo ele, os preso que estão em regime aberto ou liberdade condicional,
ou ainda aqueles que cumprem penas alternativas, voltam a cometer crimes, na
maioria das vezes, porque depois de um tempo tentando se manter na lei, a
criminalidade se mostra muito mais acessível e garante a sobrevivência fora da
cadeia.
“É preciso que seja feita uma vigilância a esse preso e um acompanhamento
por outros atores sociais que não só a polícia. É o caso de educadores,
assistentes sociais, etc.”, explica.
Depois do estudo, Ferreira avalia que o sistema prisional brasileiro passa
por dois problemas principais. O primeiro é a violência policial, que
desrespeita direitos primários contidos na Constituição e goza da impunidade.
Ele lembra que, em 2007, de 23.549 denúncias feitas à Ouvidoria da Polícia de
São Paulo, apenas 8.001 foram apuradas e 4.923 foram punidas. Mesmo assim, não
há informações sobre o tipo de punição nem quais os crimes mais punidos.
Para ele, a aparelhagem e utilização das ouvidorias de polícia são uma forma
de coibir os abusos. Além disso, o policiamento comunitário também é citado por
Ferreira como forma de aproximar a polícia da população, estreitando os laços e
fazendo com que um colabore com o outro.
O segundo grande problema apontado
pelo técnico do Ipea é a superlotação dos estabelecimentos. De acordo com ele, isso poderia ser amenizado com a criação de cadeias
públicas para abrigar os presos provisórios e desafogar o trabalho dos
policiais que precisam fazer a guarda dos presídios. Além disso, seria
necessário aperfeiçoar o sistema de penas alternativas. “O regime fechado e
mesmo o aberto e semi-aberto deveriam ser encarados como último recurso”,
defende.
O coordenador nacional da Pastoral Carcerária, padre Gunther Zgubic, é da
mesma opinião. Segundo ele, “cada prisão destrói uma família”, e as penas
alternativas deveriam ter sua aplicabilidade aumentada de cinco anos – máximo
permitido atualmente – para oito anos.
O padre diz que a Campanha da Fraternidade, promovida pela Igreja Católica
anualmente, vai propor em 2009 “um novo modelo de segurança pública e justiça”,
para trazer à tona a discussão.
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