



|
São Paulo - Os pais devem ficar atentos às tentativas de uma criança de relatar que foi
vítima de violência ou de abuso sexual. Segundo a psicóloga Daniela Pedroso, do
Serviço de Violência Sexual do Hospital Pérola Byington, em São Paulo, crianças
não inventam ou fantasiam histórias de que foram vítimas de violência sexual. “Se
a criança está contando, é porque alguma coisa aconteceu”, disse.
De acordo com ela, as crianças ou adolescentes podem ter dificuldades em
contar que foram vítimas de violência ou abuso sexual, principalmente porque
não conseguem perceber “que aquilo que está ocorrendo (com ela) é errado”. A
psicóloga explica que como o agressor é, em geral, alguém muito próximo da vítima
e que pode ter a função de protegê-la, a criança tem dificuldade em perceber
que a violência é um comportamento errado.
Por isso, os pais devem ficar atentos a outras tentativas de seus filhos de
relatar que podem estar sofrendo abuso ou violência sexual. Segundo Pedroso,
mudanças bruscas no comportamento, dificuldades injustificáveis na escola, medo
de ficar sozinho, comportamento sexual exacerbado e até comportamentos
regressivos como voltar a fazer xixi na cama podem ser indicativos de que a criança é vítima
de violência sexual.
“Esses sinais não são específicos de abuso sexual. Mas são sinais de que
alguma coisa não vai bem na vida da criança”, explicou o médico ginecologista
Jéferson Drezett.
Segundo a psicóloga Daniela Pedroso, identificada a violência, a criança
deve ser levada para um serviço de saúde o mais rápido possível, mesmo sem
boletim de ocorrência. O próprio serviço de saúde deve fornecer a ela, além do
tratamento médico adequado, um tratamento psicológico.
“Se a gente cuidar dela a tempo, conseguimos minimizar esses danos e
diminuir esses traumas. Talvez ela nunca esqueça o que aconteceu, mas
conseguirá significar aquilo de maneira diferente para que isso deixe de
incomodá-la tanto”, defende.
|
|