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Manaus - A matéria-prima parada nos centros
alfandegários do porto e do Aeroporto Internacional de Manaus,
aguardando fiscalização, por conta da greve dos
auditores fiscais da Receita Federal, faz com que a indústria
local amargue um prejuízo de US$ 100 milhões. É
o que afirma o presidente do Sindicato das Indústrias de
Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Amazonas
(Sinaees), Wilson Périco.
A mercadoria está parada desde o início
da greve dos auditores, deflagrada no dia 18 de março. Segundo
Périco, a paralisação pode ter como conseqüência
o impedimento da entrada e da ampliação de
investimentos estrangeiros no país.
O presidente do Sinaees disse que, pelo menos, 2,5
mil trabalhadores estão sem matéria-prima para realizar
suas atividades, o que, por sua vez, causou a interrupção
dos trabalhos nas linhas de produção de 11 fábricas
no Pólo Industrial de Manaus (PIM).
"Nossa
preocupação no momento não é só
quanto ao prejuízo financeiro das empresas, mas também
quanto ao prejuízo social para os trabalhadores e também
para o país, que pode ter sua credibilidade afetada para
atração ou ampliação de investimentos",
disse Périco. Grande parte dos insumos necessários às
linhas de produção do Pólo de Manaus são
de origem estrangeira.
Périco ressaltou que a solução
para o fim da greve dos auditores é esperada com ansiedade em
função da proximidade com o Dia das Mães. A data
é importante para o comércio e costuma ser responsável
pela geração de postos de trabalho no setor industrial.
Hoje, trabalham no pólo 400 empresas que, em 2008, devem ter
faturamento de US$ 28 bilhões.
"Quem está
arcando com esse greve é a sociedade com os investimentos que
deixam de ser feitos e os empregos que deixam de ser gerados por
esses investimentos, principalmente no Pólo Industrial de
Manaus. Por isso, aguardamos com muita expectativa que o governo
federal tenha o bom senso de conduzir o assunto e minimizar os
impactos dessa greve para a sociedade", complementou.
Em
entrevista à Agência Brasil, o presidente do
Sindicato Nacional de Auditores Fiscais da Receita Federal
(Unafisco), no Amazonas, Paulo Sérgio Souza, justificou que a
greve só foi desencadeada porque o governo federal não
cumpriu as negociações iniciadas em 2007 sobre os
ajustes salariais.
"Os auditores fiscais não desejavam a
greve, mas como o governo não cumpriu a promessa feita de
valorização da categoria por meio dos ajustes
salariais, decidiu-se pela greve. Essa é a maneira que temos
para fazer com que o governo cumpra o que nos prometeu",
destacou.
De acordo com o sindicato da categoria, somente 30%
dos auditores estão trabalhando no Amazonas, para manter o
mínimo dos serviços essenciais determinado por lei.
Dados da Receita Federal mostram que 12 mil auditores estão
ativos no Brasil, sendo 175 lotados no Amazonas.
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