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7 de Abril de 2008 - 06h07 - Última modificação em 7 de Abril de 2008 - 12h17


Reassentado da Raposa Serra do Sol diz que terra nova “não presta”

Marco Antônio Soalheiro
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Roosewelt Pinheiro/ABr
Projeto de Assentamento Nova Amazônia (RR) - O fazendeiro Adílio Araújo, 61 anos, diz que teve prejuízos com a saída da Terra Indígena Raposa Serra do Sol Projeto de Assentamento Nova Amazônia (RR) - O fazendeiro Adílio Araújo, 61 anos, diz que teve prejuízos com a saída da Terra Indígena Raposa Serra do Sol
Projeto de Assentamento Nova Amazônia (RR) - De família nordestina, Odílio Soares de Araújo nasceu na Terra Indígena Raposa Serra do Sol e quase 60 anos depois teve de deixar uma fazenda na área homologada em abril de 2005, onde criava gado e praticava agricultura de subsistência. Agora, já reassentado no Projeto de Assentamento (PA) Nova Amazônia, nos arredores de Boa Vista, ele, que optou por não resistir, diz, resignado, que “não é como antes, mas não tinha mais saída”.

Araújo mora na capital e vai ao assentamento nos fins de semana. A antiga fazenda de aproximadamente mil hectares foi trocada por uma parcela de terra no projeto de assentamento, de 446 hectares. A sede é uma casa de madeira de quatro cômodos. A principal reclamação é com a qualidade da nova posse: “A terra não presta e nessa quantidade é muito pouco para fazer pecuária extensiva”.

Araújo não revela o valor da indenização recebida pelas benfeitorias, mas definiu-a como “insatisfatória” e deu um exemplo: “Se uma cadeira custa R$ 10, eles [Funai] fazem depreciação e pagam R$ 5”. Acrescentou que enfrenta “a realidade como ela é, mas o prejuízo não se discute”.

Segundo Odílio, seus antepassados “ajudaram a construir Roraima e a desbravar o interior”. Ele garante que nunca houve divergências entre agricultores com o seu perfil e indígenas na Raposa Serra do Sol, que “daria para abrigar todos”. E prefere não fazer juízo de valor sobre a resistência dos arrozeiros em sair de lá: “Cada um toma a sua decisão”.

A reportagem visitou outras parcelas de terras recebidas por donos de antigas posses na reserva indígena. Em muitas delas, os assentados não foram encontrados. Há uma associação representativa de parte deles, mas o responsável pela entidade disse que preferia não conceder entrevista antes de “deliberar sobre o assunto” com os companheiros. Alegou que o grupo já foi prejudicado por reportagens que não teriam tido a repercussão desejada.

De acordo com o Incra, havia 292 famílias de não-índios cadastradas na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Delas, 139 já foram reassentadas em lotes. Além do PA Nova Amazônia, há famílias na zona rural do município de Alto Alegre, a 55 quilômetros da capital. Sessenta e quatro lotes têm até 100 hectares e o restante, de 100 a 500 hectares.


 


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