Ainda há resistência - de juízes e até das próprias varas especializadas - com relação à Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06) que
tornou mais rigorosa a pena contra quem agride mulheres. A opinião é da antropóloga
da Universidade de Brasília (UnB) Lia Zanotta que participou hoje (7), em São Paulo, de um seminário que discute a violência doméstica e tem o objetivo de sensibilizar e capacitar operadores do direito e profissionais ligados ao assunto para o atendimento adequado às vítimas.
“A opinião
pública é cada vez mais favorável à lei, há
um crescimento à favorabilidade da lei, mas isso não significa
que não esteja havendo uma forte resistência dos
operadores do direito, as vezes até juízes e até das
próprias varas especializadas. São aqueles que imaginam
que essa violência seja apenas um crime de bagatela, uma coisa
pequena, quando na verdade é uma questão gravíssima
que estrutura uma ordem cultural violenta na nossa sociedade.”
Segundo ela, a violência doméstica foi tolerada por
muito tempo e, em nome da autoridade masculina sobre a mulher, foi
construída e aceita na sociedade.
“O que nós
precisamos é romper com essa idéia de intolerância
da violência e de defesa da harmonia familiar a todo custo
porque é fundamental que todos os membros individuais de uma
família sejam respeitados.”
Lia Zonotta afirmou que
a lei veio trazer para a mulher um direito que ela não tinha, e
introduzir a idéia de que ela tem os direitos individuais na
família, o que, até então, era desconhecido. Segundo a professora, a lei defende toda e qualquer vítima
que seja mulher.
“O Estado, em geral, reluta para entrar no que ele
chama de privacidade do casal, mas na verdade hoje, com os direitos
constitucionais de igualdade de gênero entre homens e
mulheres, é fundamental que os direitos individuais sejam
preservados no interior da família.”
O 4º Seminário Protegendo as Mulheres da Violência Doméstica, que segue até amanhã (8) em São Paulo, é
promovido pelo Fórum Nacional de Educação em
Direitos Humanos e a Comunidade Bahá’í do Brasil, em
parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as
Mulheres.
“O seminário
tem como objetivo sensibilizar e capacitar os operadores de direito
para implementação da Lei Maria da Penha e surgiu por
uma série de questões que foram observadas sobre a não-aplicação da Lei quando há denúncia,
então muitas mulheres deixam de fazer a denúncia
porque deixam de acreditar no Judiciário”, disse Flávia
Azevedo Fernandes, da Coordenação Pedagógica do
Fórum.
No encontro serão
avaliados os resultados da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06) e
apresentados casos de boas práticas no atendimento às
vítimas de violência.