|
Brasília - Além da epidemia
de dengue já registrada no estado do Rio de Janeiro, estados
da região Nordeste, assolados pelas chuvas, podem, “muito
provavelmente”, apresentar aumento significativo de casos da doença
por conta do acúmulo de água. A previsão é
do secretário nacional de Defesa Civil, Roberto Guimarães.
“Muito
provavelmente [os casos de dengue na região vão
aumentar]. O Ministério da Saúde já
manifestou preocupação porque há falta de
consciência de determinadas pessoas que não colaboram. A
gente vê piscinas, vasos, pneus [cheios de água
parada]. Se os organismos que compõem o Sistema Nacional
de Saúde não estiverem atentos, poderemos ter problemas
de dengue no Nordeste, haja vista a quantidade de água que
assolou essa região”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.
Após sobrevoar
os cinco principais municípios atingidos pelas enchentes no
estado do Maranhão – Trizidela do Vale, Pedreira, Lagoa
Grande, Lago do Norte e Lago da Pedra – Monteiro afirmou que ainda é possível ver ruas completamente alagadas e pessoas em abrigos
providenciados pela prefeituras locais.
“Nessas áreas
que ainda estão inundadas também foi incluído no
kit de socorro um mosquiteiro, para que, justamente quando as
águas baixarem e por acaso surgir o problema da dengue, as
pessoas estejam abrigadas.”
Monteiro, acompanhado
do coordenador executivo da Defesa Civil estadual, Célio de
Araújo, segue viagem rumo a Pernambuco,
Paraíba e Rio Grande do Norte. Amanhã (8), outra equipe da Defesa Civil
sobrevoa o Ceará e o Piauí.
A previsão é
de que na próxima sexta-feira (11) as duas equipes estejam de
volta a Brasília para apresentar um relatório da
situação no Nordeste ao ministro da Integração
Nacional, Geddel Vieira Lima.
“Retornar a
Brasília para a intervenção do governo federal
[no Nordeste], ou seja, para a liberação não
só de produtos de abrigo e cestas de alimentos mas, sobretudo, de
recursos destinados à reconstrução e à
recuperação”, afirmou Guimarães.
Enquanto a ajuda do
governo federal não chega, Monteiro garante que as
coordenações municipais de Defesa Civil já estão
sendo capacitadas para fortalecer os núcleos comunitários.
“Para que elaborem e
tenham planos de contingência. Para que na eminência de
um desastre como esse, a população seja evacuada. As
primeiras providências devem ser realizadas pelo município
e não pelo estado ou pela União. Quem tem que estar
fortalecido é a Defesa Civil municipal.”
O
último levantamento do Centro Nacional de Monitoramento de
Riscos e Desastres (Cenad) divulgado na manhã de ontem (7)
informa que 390.813 pessoas já foram afetadas pelas chuvas no
Nordeste. Já foram contabilizados 37.710 desalojados e
77.580 desabrigados. Ao todo, 227 municípios foram afetados em
seis estados nordestinos: Ceará (24), Maranhão (29),
Paraíba (73), Pernambuco (31), Piauí (35) e Rio Grande
do Norte (35).
|