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Belém - Um novo grupo de
militares brasileiros vai se unir às tropas de paz da
Organização das Nações Unidas (ONU) no
Haiti a partir do próximo mês. Será o nono
contingente enviado pelo Brasil desde 2004 e o primeiro formado
integralmente por soldados e oficiais que atuam na região
amazônica.
De acordo com o comandante da 8ª Região
Militar, general Jeannot Jansen Filho, a tropa terá 1.200
militares, sendo 150 homens da Companhia de Engenharia do Exército,
215 fuzileiros navais e 840 militares de batalhões da 23ª
Brigada de Infantaria de Selva, sediada em Marabá, no Pará,
e responsável pela coordenação e preparação
do contingente, e de outras localidades.
O novo grupo
substituirá os militares que passaram seis meses colaborando
com a Missão das Nações Unidas para a
Estabilização no Haiti (Minustah), que deixarão
o país em dois grupos, o primeiro no dia 18 de maio e o
segundo no dia 5 de junho.
Jeannot disse que, apesar de todas
as regiões militares cederem homens para a Minustah, o envio
de pessoal de batalhões da Amazônia vinha sendo evitado
devido às especificidades das tarefas desempenhadas pelas
tropas da região.
“O Comando Militar
da Amazônia é basicamente constituído por
brigadas de infantaria de selva, que fazem a vigilância das
fronteiras”, explicou o general. Segundo ele, a única
exceção é a 23ª Brigada, de Marabá,
que não tem essa missão e pode constituir um
contingente para ser enviado para o exterior.
O general explicou
que, antes de viajar, os militares passam por um treinamento de seis
meses, recebendo desde noções do idioma local, o
crioulo, até o suporte psicológico necessário
para desempenhar suas funções durante os seis meses que
passarão no Haiti. Entre os dias 28 de abril e 2 de maio, o
contingente dever realizar um treino simulando as condições
que irá encontrar ao chegar ao Haiti.
Embora admita que o
deslocamento afetará as atividades rotineiras do batalhão,
Jeannot não vê “nenhuma grande restrição”
ao envio dos militares para ajudar na manutenção da paz
e no equilíbrio institucional no Haiti. “É uma
diminuição forte de um contingente, [tanto] de
homens muito bem treinados [quanto de] material, mas isso faz
parte da missão do Exército.” Ele acredita que as
tropas de paz ainda devam permanecer mais alguns anos no Haiti.
Embora a ONU tenha pedido que o Brasil aumentasse a
quantidade de militares da área de engenharia, o número
permanece o mesmo do contingente anterior: 150 profissionais. A
assessoria do Exército informou que o aumento do número
de engenheiros precisa ser aprovado pelo Congresso, que tem de
reconhecer e aprovar a mudança da finalidade da missão,
hoje dedicada à manutenção da paz, para a tarefa
de apoiar a reconstrução e o desenvolvimento social do
Haiti.
A mudança chegou a ser defendida pelo próprio
ministro da Defesa, Nelson Jobim, que anunciou, em fevereiro,
anunciou que o próprio presidente Luiz Inácio Lula da
Silva enviaria ao Congresso Nacional um pedido de autorização
do aumento do número de engenheiros. Hoje (8), procurada pela
Agência Brasil, a assessoria do Ministério da
Defesa respondeu que Jobim jamais falou em uma data para a que o
pedido da ONU fosse atendido.
Desde 2004, o Brasil
gasta, anualmente, R$ 130 milhões na manutenção
de seus contingentes no Haiti. Segundo cálculos do próprio
Jobim, o acréscimo de 100 militares já a partir deste
ano representaria um acréscimo de R$ 10 milhões.
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