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9 de Abril de 2008 - 06h06 - Última modificação em 9 de Abril de 2008 - 06h22


Presença de Lula na Holanda pode garantir mais investimentos ao Brasil, diz especialista

Vitor Abdala
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Haia (Holanda) - Com uma economia em constante crescimento, o Brasil precisa garantir laços com países capazes de fazer investimentos e  uma das principais formas de estreitar essas relações é por meio da visita de um chefe de Estado. Por isso, a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Holanda, principal investidor estrangeiro em 2007, é importante, segundo o especialista em Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Williams Gonçalves.

"O Brasil, na sua seqüência positiva de crescimento econômico, precisa fortalecer os laços com esses países, onde há empresas que dispõem de capital suficiente para realizar investimentos. Esse é um processo muito importante do desenvolvimento e o presidente Lula não pode, naturalmente, descuidar dessas relações", afirmou Gonçalves.

Para o especialista, a visita de um chefe de Estado a um país estrangeiro "caracteriza a importância que o país atribui àquelas relações. É uma chancela indiscutível que está se concedendo", disse Gonçalves.

No ano passado, os holandeses foram os principais investidores no Brasil, tendo injetado US$ 8,3 bilhões na economia, ou seja, quase um quarto de todo o dinheiro estrangeiro investido no país, segundo o Banco Central. Nos dois primeiros meses deste ano, já entraram no Brasil US$ 746 milhões procedentes da Holanda.

Williams Gonçalves acredita que o presidente Lula possa usar a visita ainda para reafirmar duas posições internacionais do governo brasileiro: o direito a um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas e a abertura maior dos mercados dos países desenvolvidos para produtos agrícolas dos países mais pobres.

Segundo Gonçalves, a União Européia – principalmente por meio da França – tem endurecido as negociações para a concretização da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), onde está sendo discutida a abertura dos mercados para os produtos agrícolas. Por isso, ganhar apoio de países mais "moderados" da Europa, como a Holanda, é
importante para o Brasil contrabalançar a posição francesa, que é mais radical.

"Naturalmente, essa posição privilegiada que o Brasil tem com a Holanda no plano econômico e comercial tem também a sua face política. Interessa ao Brasil aproximar-se de determinados países da União Européia para sensibilizar esses países quanto à necessidade de se dar prosseguimento às negociações da Rodada Doha", explicou.



 


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