José Cruz/ABr
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Brasília - A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o deputado André de Paula (DEM-PE) e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, participam da audiência pública que discute o desmatamento na Amazônia
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Brasília - A
tendência de queda no desmatamento da Amazônia registrada
pelo governo desde 2004 pode ser comprometida em 2008, por se tratar
de “um ano atípico”, de acordo com a ministra do Meio
Ambiente, Marina Silva.
“Estamos
trabalhando com afinco, e ao final [do ano] vamos fazer um balanço.
É um ano atípico, tivemos uma longa estiagem, temos o
período eleitoral em que a situação política
fica muito tensa e ainda temos o problema grave em relação
à questão do aumento do preço das commodities”, afirmou a ministra hoje (9) após participar de audiência pública na Câmara dos Deputados.
A taxa
anual de desmatamento é calculada pelo Projeto de Estimativa
de Desflorestamento da Amazônia (Prodes), do Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (Inpe). De acordo com o monitoramento, em
2004, a área desmatada foi de 27 mil quilômetros quadrados,
em 2005, 18 mil quilômetros quadrados, em 2006, 14 mil
quilômetros e em 2007, o número caiu para 11 mil quilômetros
quadrados.
No
entanto, números do Sistema de Detecção
em Tempo Real (Deter) - outra ferramenta de monitoramento - registraram aumento do desmatamento
nos últimos meses de 2007, tendência confirmada nos
números mais recentes do Inpe, de fevereiro.
“Esperamos
que a redução seja um processo continuado. Mas uma
coisa é cair de 27 para 18 [mil quilômetros
quadrados], outra é cair de 11 porque você vai tendo
uma situação mais complexa. Voltamos a índices
de desmatamento de 15 anos atrás. Imagina o que é
chegar aos mesmos patamares com o aumento da infra-estrutura, da
população e em pleno crescimento econômico”,
comparou.
Durante
audiência na Câmara dos Deputados, a ministra negou que o
Ministério do Meio Ambiente seja contra o desenvolvimento de
atividades econômicas na Amazônia e afirmou que o
governo vive “um novo paradigma” que reconhece a necessidade de
crescimento sustentável, aliado à preservação
dos recursos naturais.
“Eu não
sou contra a energia, o desenvolvimento industrial, contra a
agricultura, assim como os ministros da Agricultura, do
Desenvolvimento da Indústria e de Minas e Energia também
não são contra a preservação do meio
ambiente”, avaliou.
“A equação que temos que
responder neste século é: como promover o
desenvolvimento econômico com preservação
ambiental e como promover a preservação ambiental com
desenvolvimento econômico", afirmou Marina Silva.