O presidente da Petrobras Distribuidora (BR), José Eduardo Dutra, afirmou hoje (9) que a possível compra da Esso não implicará concentração do mercado pela estatal brasileira, que não deterá 50% da comercialização.

A Petrobras já fez a proposta de compra da Esso, mas Dutra preferiu não comentar a negociação, que cabe à holding, e a concentração do mercado, porque o julgamento caberá ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça.

“É questão de aritmética: a soma da atual participação da BR no mercado à dos ativos adquiridos da Ipiranga, no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, mais a possível compra da Esso dá um resultado inferior aos 50%”, disse, durante palestra no Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças. Ele lembrou que a participação da BR no mercado hoje, sem contabilizar os ativos da Ipiranga, é de 35%. E que "quem decide concentração é o Cade, que olha município a município antes de decidir”.

Ainda neste mês, acrescentou, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) deverá autorizar a Petrobras a colocar em operação a empresa Alvo, subsidiária criada para administrar os ativos adquiridos da Ipiranga. A criação da empresa foi a solução encontrada pela estatal para tocar a rede de postos, diante da demora do Cade em se posicionar sobre a transação feita no ano passado e que suscitou suspeitas de concentração de mercado.

Segundo Dutra, a Alvo será incorporada à BR após decisão favorável do Cade e os postos manterão a bandeira Ipiranga. "Não era o desejávamos [a demora na decisão do Cade], uma vez que a criação de uma nova empresa implicará custos adicionais, que não seriam necessários se a transação fosse feita com a transferência dos ativos adquiridos à Ipiranga diretamente para a BR”, lamentou.