O Plenário do
Supremo Tribunal Federal (STF) acompanhou o voto do relator, ministro
Carlos Ayres Britto, e decidiu, por unanimidade, suspender qualquer
operação de retirada de ocupantes não-índios
da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. A
decisão, que vale até o julgamento do mérito da
ação cautelar, atendeu a pedido feito ontem (8) pelo
governo de Roraima.
Na ação, o governo informava temer confrontos "com conseqüências imprevisíveis" entre arrozeiros, índios e a Polícia Federal, responsável pelo Operação Upakaton 3.
O ministro Carlos Ayres Britto atendeu ao pedido do governo de Roraima com o argumento de que para evitar a eclosão de um confronto, que poderia levar a "uma verdadeira guerra civil", deixou de ouvir a outra parte, representada pela União e a Fundação Nacional do Índio (Funai).
O ministro considerou, ainda, que os não-índios, na maioria arrozeiros da região que moram na reserva, representam, com sua produção, 6% da economia de Roraima e ocupam "uma faixa de terra que representa um por cento de toda a reserva Raposa Serra do Sol".
Na ação cautelar, o governo de Roraima acusou a União de não ter cumprido sua parte nas ações compensatórias que anunciou em contrapartida à saída dos arrozeiros e não-índios da área da reserva, quais sejam a destinação de 150 mil hectares para a implantação de pólos agropecuários; a regularização de dez mil propriedades familiares, habilitando-as a poder receber créditos do Programa Nacional de Agricultura Familar (Pronaf); e a garantia de que nenhum ocupante não-índio da área fosse retirado da área sem indenização e sem um local para seu reassentamento.
Mais cedo, o
superintendente da Polícia Federal (PF) em Roraima, José
Maria Fonseca, tinha anunciado que a operação Upatakon
3 terá uma trégua pelo menos até a próxima
segunda-feira (14). A operação visa retirar não-índios
da terra indígena Raposa Serra do Sol. A informação
foi transmitida após uma reunião entre policiais
federais e nove arrozeiros que têm plantações na
área.
"Eles pediram um prazo até segunda-feira,
quando voltaremos a sentar para definir como será a
desocupação", afirmou, reiterando que o acordo com
os arrozeiros será respeitado.
"Até
segunda-feira, não tem surpresa e não há
enganação. A Polícia Federal não age
assim. Não pode haver quebra de confiança".