Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
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Brasília - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, fala sobre o Plano Estratégico Nacional de Defesa, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados
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Brasília - A proposta brasileira de criação de
um Conselho Sul-Americano de Defesa começará a ser
oficialmente apresentada aos demais países da região a
partir da próxima semana. O ministro da Defesa, Nelson Jobim,
levará a idéia ao governo venezuelano na próxima
segunda-feira (14). Na seqüência, ele irá à
Guiana e ao Suriname.
Segundo Jobim, o projeto não prevê
uma aliança militar, nos moldes da Organização
do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), mas a articulação
e a coordenação de estratégias de defesa do
continente. “Esse conselho não é uma aliança
militar no sentido tradicional, não é a OTAN do Sul,
não é uma força de ocupação, não
é uma força de segurança da América do
Sul”, frisou.
O ministro definiu o conselho como uma aliança
entre os países. “ É uma aliança de natureza
de defesa entre países para a formação de uma
identidade sul-americana de defesa, respeitadas as três grandes
vertentes da América do Sul: amazônica, andina e
platina”, completou.
Pela proposta brasileira, além da
elaboração de políticas de defesa, caberá
ao Conselho promover a integração das bases industriais
de defesa, para que se crie um parque industrial regional. Outras
atribuições do Conselho seriam a análise da
conjuntura internacional e de situações regionais e
sub-regionais na área de defesa.
O conselho poderá também coordenar
ações para o enfrentamento de riscos e ameaças à
segurança dos Estados – como a atual cooperação
de militares brasileiros na busca e salvamento de vítimas das
enchentes na Bolívia.
O órgão seria responsável
pela promoção do intercâmbio de pessoal entre as
Forças Armadas dos países, da formação e
treinamento de militares, da realização de exercícios
militares conjuntos e da participação conjunta em
operações de paz das Nações Unidas. “O
objetivo básico é consolidar, nesse conselho, um
arcabouço político-estratégico que sirva como
marco referencial para uma futura concepção de defesa”,
resumiu.
O Conselho Sul-Americano de defesa já foi
informalmente apresentado ao Chile e ao Equador, no final de 2007, e
à Argentina, em fevereiro deste ano. Em março, o
projeto foi levado por Jobim à Junta Interamericana de Defesa,
ligada à Organização dos Estados Americanos
(OEA). Segundo Jobim, países caribenhos, como Trinidad e
Tobago e República Dominicana, demonstraram interesse em
participar do órgão como observadores.
Ainda este semestre, o ministro fará mais
duas viagens para apresentar a proposta aos países
sul-americanos. Jobim pretende percorrer Equador, Colômbia e
Peru, 15 dias depois da missão de visita à Venezuela, à
Guiana e ao Suriname. Na seqüência, ele irá à
Bolívia, Chile, Paraguai, Uruguai e Argentina. A expectativa
brasileira é que o conselho esteja operando já no
segundo semestre.