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Brasília - O Centro Feminista de
Estudos e Assessoria (Cfêmea) entregou hoje (9) um documento à
Subcomissão Permanente em Defesa da Mulher do Senado com a
denúncia de que em Mato Grosso do Sul cerca de 10 mil mulheres
estão sendo chamadas para depor na polícia porque
praticaram aborto entre 1999 e 2001.
Segundo o documento,
essas mulheres correm o risco de serem qualificadas e
levadas a julgamento depois que a clínica na qual praticaram
aborto ilegal foi fechada e seus prontuários médicos
foram apreendidos pela polícia.
“Essas informações
– confidenciais e protegidas por lei – em determinado momento
chegaram a ser divulgadas e houve um movimento lá [Mato
Grosso do Sul] para saber quem eram essas mulheres”, disse
Milena Calazans de Matos, assessora técnica para direitos
humanos do Cfêmea.
“O contexto mostra o
nítido uso político da legislação
punitiva para criminalizar as mulheres num momento em que o tema está
em discussão na sociedade e no Congresso Nacional”, diz um
trecho do documento, assinado pelo Movimento de Mulheres do Brasil.
Desde que a clínica
foi fechada em Campo Grande, em maio de 2007, 26 pessoas já
foram julgadas entre funcionários e mulheres passaram pelo
procedimento, segundo o Cfêmea.
A Subcomissão de
Direitos das Mulheres se reuniu hoje (9) para debater com
representantes das principais entidades feministas do país, o
tráfico de mulheres, o combate à violência
doméstica e a situação das carceragens para mulheres.
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