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Boa Vista - O arrozeiro Nelson
Itikawa, um dos nove agricultores que estabeleceram hoje (9) uma
trégua com a Polícia Federal em relação à
saída da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, disse que
não há condições de os produtores se
retirarem a partir de segunda-feira (14).
“Nós não
vamos sair, porque não temos para onde ir. Não temos
onde colocar nossas criações e máquinas”,
afirmou Itikawa, em entrevista à Empresa Brasil de
Comunicação.
Apesar da declaração
do arrozeiro, o superintendente da Polícia Federal em Roraima,
José Maria Fonseca, disse que pretende traçar um
cronograma para uma retirada pacífica na segunda-feira, data
de um novo encontro entre as partes. Fonseca não revelou o
prazo que seria dado aos arrozeiros: “Isso é estratégico.
Vai depender da conversa.”
Itikawa negou que o
grupo de produtores tenha ordenado a formação da base
de resistência montada por moradores na Vila Surumu e a
destruição de pontes de acesso à área:
“Não sei [quem mandou destruir pontes]. Eu posso
responder por mim. Não posso responder pelo grupo. Mas não
acredito que seja arrozeiro, porque temos ainda 25% de plantação
para ser colhida e precisamos de acesso para isso.”
O líder dos
arrozeiros, Paulo César Quartiero, não participou da
reunião com a Polícia Federal, nem foi encontrado para
comentar a trégua. A informação é de que
ele estaria na Vila Surumu.
Itikawa confirmou a
presença de representantes do grupo em Brasília que
trabalham em busca de solução pela via judicial:
“Queremos que nossa questão seja julgada no Supremo Tribunal
Federal.”
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