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10 de Abril de 2008 - 12h24 - Última modificação em 10 de Abril de 2008 - 12h24


Conselho Indígena garante paz em Roraima só até julgamento final sobre homologação

Marco Antônio Soalheiro
Enviado Especial

 
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Boa Vista (RR) - No dia seguinte à decisão do Supremo Tribunal Federal, que determinou a suspensão da Operação Upatakon 3, até o julgamento de mérito de ações que tratam da homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, o clima no Conselho Indígena de Roraima , que cobrava a retirada dos arrozeiros da área, ainda é de fazer com que comunidades aguardem em paz a manifestação final da Justiça. Mas um resultado desfavorável poderá acirrar os ânimos.

"Vamos fechar toda a terra e reunir muita gente. Queremos apoio dos xavantes e vamos retomar nossas casas. Se querem desrespeitar os povos indígenas, vamos desrespeitar as autoridades", ameaçou o coordenador geral do CIR, Dionito José de Souza.

Em entrevista à Agência Brasil, Dinonito demonstrou irritação com a vitória parcial dos arrozeiros, que ganharam mais tempo para permanecer na terra indígena. "Os arrozeiros quebram pistas na cara do governo federal. Até parece que queimar casa não é crime, destruir pontes não é crime, soltar bombas não é crime", reclamou Dionito, em alusão a atos de vandalismo que ele atribui aos que resistiam em deixar a área.

A Polícia Federal já informou que a apuração dos crimes de depredação do patrimônio público continua, independentemente da suspensão da operação de desintrusão.

Dionito considerou o voto do ministro Carlos Ayres Brito, na concessão da liminar, um indicativo de que o posicionamento do relator no mérito será favorável aos arrozeiros. O argumento usado pelo ministro de que os arrozeiros ocupam apenas 1% da área de 1,7 milhão de hectares não é suficiente para o que o CIR aceite a permanência dos produtores.

No documento intitulado A Luta Continua até o Último Índio!, comunidades ligadas ao CIR avisam: "Chega de sofrimento, já esperamos demais! Tivemos calma, muita paciência e confiança nas autoridades, mas agora basta!".

 


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