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Brasília - O aumento da taxa
básica de juros (Selic) “só é bom para o
sistema financeiro e para os rentistas” -- especuladores que vivem
de renda, têm aversão a riscos e não produzem
crescimento – conforme afirmou o professor de Economia da
Universidade de Brasília (UnB), Roberto Piscitelli.
Ele critica a
“tendência” manifestada pelo Banco Central de aumentar os juros básicos. No último dia 27, o diretor de Política
Econômica do Banco Central, Mário Mesquita , afirmou que
os bancos centrais têm que agir de forma preventiva para evitar
descontrole da inflação. Na ata da última
reunião do Comitê de Política Monetária
(Copom) e no Relatório Trimestral de Inflação, o
BC mostrou preocupação com o descompasso entre demanda
por bens e serviços e oferta, o que pode gerar inflação.
Segundo o diretor, a inflação tem sido estimulada pelo
aumento da renda e do crédito, o que leva ao crescimento da
procura.
A perspectiva de
aumento dos juros na próxima reunião do Copom, nos dias
15 e 16 deste mês, foi manifestada por analistas de mercado e
de instituições financeiras, no boletim Focus da última
segunda-feira (7), divulgado pelo Banco Central. A previsão é
que a taxa passe para 11,5% na próxima reunião e chegue
ao final deste ano em 12,5%.
Piscitelli diz ter
“sérias dúvidas sobre a eficácia do aumento da
taxa de juros para restringir a demanda (procura por produtos e
serviços) e controlar a inflação”, que ainda
está no centro da meta estipulada pelo Conselho Monetário
Nacional (CMN): de 4,5% no ano, podendo flexibilizar dois pontos
percentuais para cima ou para baixo.
Ele lembra que o Brasil
tem “juros exorbitantes”, os mais altos do mundo - na contramão
dos 2,25% de taxa nos Estados Unidos e de 4% na “zona do euro”-
e reafirma que uma elevação da Selic “só
agravaria as dificuldades”, com recuo dos investimentos programados
no setor produtivo, além de não haver qualquer garantia
sobre redução do consumo.
O professor entende que
o controle do crédito seria mais eficaz no combate às
pressões inflacionárias. Mas acredita também que
“seria preciso coragem e determinação para
disciplinar o crédito, tornando-o mais seletivo e, sobretudo,
limitando os prazos.
Segundo ele, o tomador
do empréstimo pouco se importa com a taxa embutida no
empréstimo, e está mais interessado no tamanho da
prestação do financiamento; tanto que o “mercado”
acaba adequando o prazo às condições do cliente;
e aí reside a razão básica de “prazos tão
absurdamente elásticos, com massa considerável de
encargos, pagos com taxas maiores e por prazos maiores”.
Piscitelli destaca,
inclusive, ato do próprio governo que recentemente ampliou de
36 para 60 meses o prazo de empréstimos consignados, com
desconto na folha de pagamento, para aposentados e pensionistas da
Previdência Social. Para ele, a medida foi tomada “desastradamente”, por se tratar de uma forma de “reduzir o aperto atual
pela inadimplência futura ou pelo sufoco perene”.
* Colaborou Kelly Oliveira
Matéria alterada para acrescentar termo no título, de modo a torná-lo mais claro
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