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Brasília - Mesmo com o preço
máximo do megawatt/hora fixado em R$ 91, abaixo dos R$ 122
estabelecidos para a energia gerada pela usina de Santo Antônio, o leilão da
usina de Jirau, marcado para o dia 12 de maio, deverá ter
competitividade.
A avaliação é do diretor da
Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) Edvaldo
Alves de Santana, que foi o relator do edital do leilão. “A economia está
incentivadora de bons negócios, está estável.
Não se deve levar em conta que a competição em
uma licitação vai ser só por causa de o preço
ser um ou outro. As condições econômicas favoráveis
estimulam a competição e a atração de
empreendedores”, disse.
Para Santana, até mesmo se o
deságio (diferença entre o preço máximo e o preço final do leilão) for baixo, haverá competição.
“Se o deságio for de R$ 2, já poderá haver
oportunidade de competição”, afirmou.
No leilão
da usina de Santo Antônio, o deságio foi de 35%, e o
consórcio vencedor ofereceu o menor preço
para a energia: R$ R$ 78,87 por megawatt/hora.
Segundo o diretor, o preço máximo estabelecido para o
leilão de Jirau é mais alto que o de outros
países, como os Estados Unidos. “Lá, o preço
fica entre US$ 40 e US$ 50. Agora é que o preço [no Brasil] está chegando a um nível onde já
deveria estar há muito tempo”, comparou.
A diretoria da Aneel
aprovou hoje (10), em reunião extraordinária, o edital
do leilão da usina de Jirau e estabeleceu o teto de R$ 91 para
o megawatt/hora. A decisão contraria recomendação
do Tribunal de Contas da União, de baixar o teto para R$ 85. Santana lembrou que a Aneel apenas acatou a determinação
do Ministério das Minas e Energia.
Ontem (9), o ministro
das Minas e Energia, Edison Lobão, disse que a redução
do preço poderia diminuir a competitividade entre os
interessados.
O edital aprovado pela
Aneel também estabelece que o vencedor do leilão deverá vender no mínimo 70% da energia gerada pela
usina às distribuidoras, restando 30% para o mercado
livre. Isso possibilitaria o chamado subsídio cruzado, no qual
as empresas vendem energia mais cara para o mercado de alta tensão e reduzem os preços ao consumidor.
Para Santana, essa
prática é comum. “Os subsídios cruzados entre
a indústria e o consumidor residencial existem em qualquer
lugar do mundo. Se o empreendedor vender no mercado livre por um
preço maior, como é livre, o consumidor grande vai
comprar se quiser”, explica.
As empresas que participaram do leilão da usina de Santo Antônio informaram que por motivos de estratégia não se manifestariam sobre os itens do edital para o leilão da usina de Jirau. A Odebrecht, vencedora do primeiro leilão em parceria com Furnas Centrais Elétricas, não confirmou oficialmente a participação na disputa do dia 12 de maio, assim como a Suez, que foi parceira da Eletrosul. Já a Camargo Corrêa confirmou que disputará a construção da usina de Jirau, mas não definiu ainda os parceiros. A usina hidrelétrica
de Jirau vai começa a gerar energia em 2013. A capacidade
instalada da usina é de 3,3 mil megawatts de potência,
mas ela deverá gerar 1.975,3 megawatts médios.
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