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Brasília - A regulamentação da
Emenda 29, aprovada ontem (9) no Senado, vai trazer grande benefício
para a saúde do brasileiro, na avaliação do
vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto Luiz
d'Ávila. Segundo ele, além de aumentar os recursos que
deverão ser investidos na saúde, a principal conquista
com a aprovação da emenda é a fixação
de percentuais mínimos que deverão ser investidos em
saúde pública pela União, estados e municípios.
“O que sempre acontecia é o
governo municipal ficar esperando do governo estadual, que esperava
do governo federal. E todos os três deixavam de fazer a sua
obrigação, deixavam de colocar a quantidade de dinheiro
necessária para uma assistência a saúde de
qualidade. Com a emenda aprovada as coisas ficarão mais
claras”, avaliou.
Segundo ele, esse “jogo de empurra”
pode ter sido um dos fatores contribuintes para a epidemia da dengue
no Rio de Janeiro. “Até porque sempre houve uma briga no
estado em relação a quem deveria fazer isso, e quem
deveria fazer aquilo. Então o governo federal fazia uma parte
e esperava que o estadual fizesse outra, que esperava do município.
Isso é horror, como ficou comprovado agora nessa crise”,
disse.
Para d´Ávila, apesar de o
Sistema Único de Saúde (SUS) ser um dos melhores
sistemas de saúde pública que existe no mundo, ele tem
dois graves problemas. “Um é de financiamento; o outro,
gerenciamento”.
“As vezes nós temos a impressão
de que em algum lugar, mesmo tendo recursos escassos, se o sistema de
saúde funciona, isso se deve somente à boa gestão,
gente competente. No entanto, onde não há financiamento
algum, não há gestão competente que dê
jeito”, considerou.
Para ele, boa gestão e
financiamento têm que andar juntos. “De qualquer maneira, o
financiamento da saúde sempre foi um problema. Em comparação
com os outros países, e até mesmo com seus vizinhos, o
Brasil gasta muito pouco em saúde.”
Para Roberto
Luiz, a regulamentação da emenda vai melhorar e trazer
benefícios para os brasileiros. De acordo com estimativa do
conselho, o percentual da população do país que
pode recorrer a medicina particular não chega a 20%.
“Há pesquisas calculando que
90% da população depende exclusivamente do SUS. Mesmo
pagando somente R$ 3,50 por uma consulta de clínico geral, e
R$ 7 por uma consulta de especialista, coisa que qualquer flanelinha
ganha na rua, ou qualquer engraxate, defendemos o SUS. Queremos que
ele seja de qualidade, por que dele depende a saúde de grande
parte dos brasileiros”, disse.
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