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Brasília - O Brasil tentará
convencer cerca de 30 países latino-americanos e caribenhos
que a produção de biocombustíveis não
ameaça a segurança alimentar da região. Segundo
o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, essa
será a posição brasileira na 30ª Conferência
Regional da Organização das Nações Unidas
para Agricultura e Alimentação (FAO), que acontece
entre os dias 14 e 18 deste mês em Brasília.
“Queremos afirmar que
é importante, não só para o Brasil como para o
mundo, desenvolver políticas de biocombustíveis. Também
queremos reafirmar o que o presidente Lula [Luiz Inácio Lula da Silva] tem afirmado de que isso
não compete, obrigatoriamente, com a produção de
alimentos. É possível produzir biocombustível e
produzir alimentos, sim”, disse Cassel em coletiva de imprensa
sobre a conferência da FAO.
Um dos quatro eixos de discussão
da conferência, que acontece de dois em dois anos e define as
prioridades de ação da FAO, será relacionado a oportunidades e
desafios da bionergia. Segundo José
Graziano, diretor da FAO para a América Latina e Caribe,
ainda não há consenso quanto a produção
de biocombustíveis.
“É um tema muito controverso, há
diferentes opiniões em países latino-americanos”,
admite o ex-ministro extraordinário de Segurança
Alimentar e Combate à Fome.
Ele reconhece que a
produção de biocombustíveis a partir do milho,
pelos Estados Unidos, afeta países caribenhos e
centro-americanos, grandes importadores de milho americano para
alimentação animal. Mas acredita que os biocombustíveis
também podem representar uma oportunidade de desenvolvimento
para muitos países.
“Há essa
situação e há esse conflito. Mas há
também, por parte da FAO, o reconhecimento de que é
uma oportunidade poder plantar combustível, poder substituir
petróleo a US$ 100 o barril”, afirma, citando países
como Cuba, Chile e Uruguai, que importam 100% da energia consumida.
“Produzir energia é uma oportunidade nova e cria
oportunidades para seus agricultores poderem ter uma outra fonte de
renda”, avalia.
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