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10 de Abril de 2008 - 19h58 - Última modificação em 10 de Abril de 2008 - 19h58


Associação diz que mais dinheiro para saúde não resolve problema médico brasileiro

Débora Xavier
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Mais recursos para a saúde pública, apesar de imprescindível, não resolve todos os problemas médicos do brasileiro, disse o presidente da Associação Médica Brasileira, José Luiz Gomes do Amaral, ao comentar a aprovação do projeto de lei complementar regulamentando a Emenda 29.

A iniciativa fixa percentuais mínimos a serem investidos em saúde pública pela União, estados e municípios. “Além de mais recursos o sistema público de saúde precisa ainda mais, que esses recursos sejam bem aplicados”, disse.

De acordo com José Luiz, nos últimos seis, sete anos, o orçamento da saúde aumentou quase três vezes. Contudo, apontou, a remuneração para as atividades diretas, do ponto do atendimento médico, não aumentou quase nada.

“Entidades filantrópicas, como as Santas Casas, que fazem 60% dos atendimentos do SUS no Brasil, estão com enorme dificuldades. A tabela do SUS e a remuneração dos médicos continuam praticamente as mesmas”, denunciou.

Para José Luiz, não existe um plano de carreira que incentive a interiorização dos médicos, por isso ainda subsiste “grandes lacunas” na assistência médica em várias regiões do país.

“Em qualquer lugar do mundo o incentivo à interiorização depende da criação de um plano de carreira e o estabelecimento de postos de trabalhos, onde os médicos são mais escassos. A partir daí, os médicos iriam buscar esses postos para evoluir na carreira”, explicou.

Para o presidente da associação médica, a idéia do Ministério da Educação de permitir o pagamento do crédito educativo com a fixação em determinadas regiões talvez não seja a melhor forma de solucionar a falta de médicos no interior do país.

Segundo ele, os municípios mais isolados necessitam de médicos mais experientes, com uma ampla capacidade de atendimento, e não com capacidades pontuais, mais comuns nos recém egressos na profissão médica. “Isso é o que funciona no mundo inteiro”, enfatizou.

José Luiz afirmou que atualmente os recursos destinados à saúde pública correspondem ao mesmo montante investido no setor privado. “Só que essa quantia, no setor privado, se destina a apenas 40 milhões de brasileiros, o que corresponde mais ou menos a 20% da população. Com essa mesma quantia o governo atende ao restante da população, ou seja, a 150 milhões de pessoas”, disse.

O médico avaliou que para que o sistema público de saúde tenha a mesma qualidade do setor privado, precisaria multiplicar esses investimentos por quatro a cinco. “E olhe que as pessoas que hoje têm assistência privada não estão ainda totalmente satisfeitas, há uma série de reclamações. Portanto podemos avaliar quão distantes nós estamos do ideal. O Brasil está muito longe dos países bem sucedidos em termos de investimentos em saúde”, afirmou.

De acordo com os cálculos do presidente da Associação Médica Brasileira, a regulamentação da Emenda 29 irá aumentar os recursos para a saúde apenas em 50% dos atuais valores investidos. “Nós gostaríamos que aumentasse 500% para chegar ao nível da medicina privada, para pelo menos chegar ao nível da medicina privada”, disse.

Ele fez questão de ressaltar, no entanto, que o aumento no volume dos recursos significa perspectivas positivas para o futuro do Sistema Único de Saúde.




 


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