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Brasília - Avançar
nas negociações e trâmites legais para solucionar
o problema da superexploração e violação
dos direitos trabalhistas, além de buscar alternativas para o
pagamento por produtividade, estabelecido em todo o sistema de
produção canavieiro.
São
estas as recomendações apontadas pela missão
internacional que, após visitar
três estados brasileiros, constatou uma série de
impactos provocados pela monocultura
voltada para a produção de biocombustíveis. Desde o dia 3, a Organização Internacional de
Direitos Humanos (Fian), em parceria com entidades representativas da Alemanha, da Holanda, da Suíça e do Canadá,
visitou os estados de Mato Grosso do Sul, Piauí e São
Paulo.
O foco estabelecido para a investigação foi o
direito humano à alimentação adequada. Em Mato
Grosso do Sul, uma equipe visitou a população indígena
Guarani-Kaiowá, que vive no município de Dourados.
Segundo Sofia Monsalve, representante da Fian e uma das coordenadoras
da missão, foram constatadas “sérias violações”
ao direito humano da alimentação devido à "falta de acesso e de controle sobre suas terras ancestrais”.
“É
um problema histórico, não é novo. Mas se agrava pela expansão do cultivo da cana em
terras ancestrais indígenas. Os fazendeiros fazem muita
pressão para a demarcação de terra e temos
denúncias de intimidação por parte de
funcionários públicos encarregados desse processo
legal. Os indígenas, por falta de opção, têm que
trabalhar no setor canavieiro”, disse.
Dados
levantados pela missão revelam que 25 crianças da etnia
morreram em 2005 de desnutrição, devido à interrupção na entrega de cestas básicas. As entregas foram retomadas posteriormente, mas segundo a equipe ainda são elevados os índices de desnutrição
severa e de risco nutricional no local. Nos 3,5 mil hectares da reserva de Dourados vivem 14 mil indígenas.
No Piauí,
após visita à Fazenda Santa Clara – no município de
Canto do Buriti (330 quilômetros ao sul da capital, Teresina) –, onde a mamona é cultivada para a produção de biodiesel pela empresa Brasil Ecodiesel, Monsalve relatou que os trabalhadores da fazenda são submetidos a um "rígido" sistema de pagamento por produção: a empresa reduz o salário quando não é alcançada a meta de três toneladas anuais, fixada em contrato.
Já
em São Paulo uma terceira equipe constatou que nos municípios de Ribeirão Preto, Guaíba
e Araraquara as condições de trabalho no setor
canavieiro implicam violações aos direitos
trabalhistas, além do direito à alimentação
e à saúde dos trabalhadores. “É
um problema estrutural de superexploração baseado no
modelo de pagamento que leva os homens a
trabalharem além de sua capacidade física
e às custas da saúde deles. O trabalhador quer cortar
muita cana para ganhar mais, mas não faz pausa e não
pode se alimentar adequadamente”, disse Monsalve. De 2004 a
2008, no estado, 21 trabalhadores morreram por exaustão e desde a década de 80 a produtividade média de cada cortador de cana passou de 6 para 12
toneladas ao dia. Já a remuneração caiu no período, segundo a missão.
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