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Rio de Janeiro - O diretor da
Coordenação dos Programas de Pós-Graduação
em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), Luiz Pinguelli Rosa, criticou hoje (10) a falta de prioridade
para políticas de saúde e de eficiência da gestão
pública na prevenção e no combate à
dengue.
"Há desorganização, falta
de planejamento e de política de saúde", disse
Pinguelli, ao participar, na UFRJ, de reunião em que
especialistas da área de saúde e tecnologia discutiram
os desafios no combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor
da dengue. Na reunião, também foi apresentado um modelo
de sistemas de informação desenvolvido pela
universidade que poderá transmitir dados reais sobre a
situação da dengue.
"Havia evidência
de risco da epidemia muito antes e, se essas medidas que agora estão
sendo tomadas fossem tomadas dois meses atrás, certamente a
situação estaria melhor, tanto no combate ao mosquito
quanto no atendimento aos doentes", afirmou Pinguelli. A Coppe
desenvolveu um modelo de informação para o controle da
epidemia com o qual os gestores de saúde poderão
atualizar em tempo real as informações sobre o
assunto.
Segundo o professor Adilson Elias Xavier, do Programa
de Engenharia de Sistemas de Computação da Coppe, o
modelo poderá tornar mais eficiente o controle de focos do
mosquito transmissor e identificar pessoas infectadas. "Precisamos
usar tecnologia moderna e logística para o combate e o
controle da dengue", disse ele. Com esse modelo, o professor
acredita que os gestores terão o controle real da
situação da epidemia na cidade.
Adilson Xavier
também criticou o modelo adotado atualmente pelo poder
público: "Hoje em dia os sistemas são
tradicionais, com papéis, registros e formulários. Isso
leva tempo, é muito incompleto, e há várias
áreas da cidade [Rio de Janeiro] sem nenhum controle.
Já estamos falando com as autoridades para implantar esse
projeto de inclusão digital na área da saúde. O
governo vai economizar, porque o sistema vai produzir eficiência
e velocidade."
Para o coordenador do Departamento de
Medicina Preventiva da UFRJ, Roberto Medronho, falta integração
entre os centros de pesquisa e os poderes públicos. "O
Rio de Janeiro vive um grande paradoxo: ao mesmo tempo que temos
grandes centros de pesquisa e laboratórios na área de
dengue, não temos um diálogo adequado com a Secretaria
de Saúde. Se houvesse mais permeabilidade entre os dois entes,
com certeza poderíamos dar nosso conhecimento para
aprimorar a estratégia de combate ao vetor na cidade."
Medronho disse que os especialistas em saúde e
tecnologia continuam abertos ao diálogo com técnicos da
Secretaria de Saúde para tornar mais eficiente o combate à
dengue, reduzir o número de casos e o sofrimento da população.
Ele considera praticamente impossível erradicar o Aedes
aegipty: "Temos um ambiente urbano desordenado, com
carências de saneamento básico e de coleta de
lixo."
Segundo o superintendente estadual de Vigilância
da Saúde, Victor Berbara, o sistema de informação
desenvolvido pela universidade poderá ser implantado pelo
estado como ferramenta de combate à dengue. "Estamos
buscando como estratégia para combater não só a
dengue, mas outras situações relacionadas à
saúde da população, sistemas ágeis de
informação para a tomada de decisão rápida.
Estamos ainda avaliando", explicou.
No entanto, Berbara
não descartou a necessidade de mais integração
entre os órgãos do governo e da sociedade civil para
evitar novas epidemias nos próximos anos. Ele defendeu
investimento em mobilização social e entrosamento entre
as diversas áreas de governo, como planejamento, ambiente,
saneamento e educação. "Essa epidemia veio mostrar
que a dengue não é uma situação exclusiva
da saúde, é uma necessidade de envolver e integrar
forças no combate à doença."
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