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Brasília - O relatório
Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil 2006/2007,
divulgado hoje (10) pelo Conselho Indigenista Missionário
(CIMI), revela que a maioria dos 149 assassinatos registrados nesse
período entre indígenas, com autoria definida, foi
cometida por pessoas das próprias comunidades, em situações
de brigas, muitas delas familiares. Mais da metade do total dos crimes ocorreu em Mato Grosso do Sul.
Para a antropóloga Lúcia Rangel,
coordenadora do levantamento, o aumento da violência entre os
próprios índios é reflexo das condições
degradantes a que eles estão submetidos, principalmente em
Mato Grosso do Sul, por estarem “confinados” em pequenas reservas
onde há superpopulação e condições
precárias de saúde e subsistência.
A antropóloga explicou que, apesar das
várias comunidades de uma mesma reserva - como é o caso de
Dourados, onde estão os Guarani-Kaiwoá - terem a mesma
cultura e falarem a mesma língua, elas estão
organizados em unidades autônomas (chamadas tekohá)
baseadas em relações familiares e com chefias políticas
e religiosas independentes.
“Quando várias dessas unidades são
colocadas em uma área sem espaço, começam a
competir entre si, o conflito vai aumentando e entra-se num ciclo de
violência interna que não se resolverá, a não
ser que cada uma das unidades retome a terra que corresponde ao seu
tekohá.”, afirmou Lúcia Rangel, referindo-se à
reivindicação dos 45 mil índios da etnia
Guarani-Kiaowá por 100 áreas de terra no estado.
Ao comentar os suicídios registrados entre
jovens indígenas no país (33 em 2006 e 28 em 2007), a
antropóloga disse que trata-se de um fenômeno de difícil
compreensão. “Parece um grito de alerta da juventude de que
as coisas não vão bem, de que a vida está
violenta, de que são ameaçados, e eles buscam no mundo
dos espíritos a segurança e a paz que não
encontram aqui.”
A matéria foi atualizada para correção de informações
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