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Brasília - Apesar da
redução de 12% no número de pessoas desnutridas
entre o início dos anos 90 e o período de 2002 a
2004, mais de 52 milhões de habitantes da América
Latina e do Caribe têm desnutrição crônica
ou padecem de fome.
Os dados, divulgados hoje (10) pelo representante
da Organização das Nações Unidas para a
Alimentação e a Agricultura (FAO), José Tubino,
revelam, segundo ele, a necessidade de se discutir o problema sob uma
ótica diferente: "Deve-se deixar de entender o acesso à alimentação como
um ato de caridade e começar a considerá-lo um
direito."
Ele completou: "Garantir que todos os seres humanos disponham de uma
quantidade adequada e regular de alimentos é nada mais que uma
obrigação moral. É um direito intrínseco
à democracia e ao desenvolvimento e não uma
concessão ou um ato episódico de filantropia.”
Ao
participar da abertura da Conferência Especial pela Soberania
Alimentar, pelos Direitos e pela Vida, Tubino reforçou que a redução no número de pessoas subnutridas na região é
“insuficiente e muito desigual”. América
do Sul e Caribe, de fato, acrescentou, apresentam um desempenho melhor, o que já
não acontece na América Central, onde percentual de subnutridos passou de 17% para 19% da
população.
“Estamos
perdendo a guerra contra a fome na América Central. O número
de pessoas que não se alimentam corretamente subiu de 5
milhões para 7,5 milhões”, alertou.
Tubino
disse acreditar que a fome revela ainda a “desigualdade étnica”
que existe na região, já que as comunidades mais
atingidas pelo pouco acesso à alimentação,
segundo a FAO, são as comunidades indígenas: “A
persistência da fome no século 21 confronta a razão,
questiona a civilização e as conquistas do
desenvolvimento. Mas, sobretudo, é uma violência
inadmissível em uma região onde não faltam comida
ou meios para ampliar a oferta de alimentos.”
O continente americano, destacou, conta com um excedente na oferta
de alimentos superior a 30% do total produzido, mais as importações:
“Não deveria falta comida." Ele disse considerar "incompreensível" que as pessoas mais afetadas pela fome sejam as que vivem no
campo, onde se produz a maior parte dos alimentos.
Segundo dados da
FAO, 30% dos camponeses da América Latina são
considerados indigentes. E mais da metade dos 71 milhões de indigentes da região vivem em
áreas rurais. Para Tubino, “o
dinamismo do setor agrícola ajuda a explicar o crescimento econômico da região,
mas não beneficiou os pobres do campo – e isso não mudará
enquanto os governos não tiverem políticas públicas
específicas destinadas às populações
rurais mais vulneráveis, que promovam a segurança
alimentar, que favoreçam a produção da
agricultura familiar, que melhorem o acesso dos camponeses aos
recursos naturais e as condições laborais dos
trabalhadores temporários.”
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