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10 de Abril de 2008 - 22h01 - Última modificação em 10 de Abril de 2008 - 22h01


Para Graziano, queda na cotação do dólar prejudica combate à fome

Mylena Fiori
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - A desvalorização do dólar pode comprometer políticas de combate à fome no mundo. A avaliação é do diretor para América Latina e Caribe da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), José Graziano, para quem essa queda gerou uma fuga, especialmente por parte dos fundos de pensão americanos, para commodities (bens primários com cotação internacional) agrícolas – soja, trigo, arroz. O resultado foi que nos últimos nove meses os preços mundiais dos alimentos subiram 45%.

“Hoje temos um ataque especulativo às commodities agrícolas e não é só com produção que se vai resolver. A solução da crise do dólar é parte da solução para a fome”, afirmou o ex-ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome, em entrevista coletiva sobre a 30ª Conferência Regional da FAO, que reunirá em Brasília representantes de cerca de 30 países da América Latina e Caribe entre os próximos dias 14 e 18.

Segundo Graziano, a FAO pedirá a ajuda de organismos financeiros multilaterais, como Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional, para inibir o processo especulativo com alimentos. “Estamos vendo se logramos alguma ação imediata e concreta”, informou.

Também presente na entrevista coletiva, o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Célio Porto, afirmou que a valorização das commodities também resulta da escassez de alimentos, provocada por uma soma de fatores: o uso do milho para produção de etanol nos Estados Unidos, o uso de oleoginosas para produção de biodiesel na Europa, o aumento da demanda na Ásia e algumas secas regionalizadas devido a mudanças no clima.

“Não há capacidade de reação da oferta no curto prazo, a demanda é que tem de se ajustar. Infelizmente está se ajustando não pela redução do consumo dos ricos e, sim, pela escassez de alimento para os pobres”, ponderou.

O aumento do consumo de alimentos pelas populações mais pobres é justamente uma das causas da escassez, na avaliação de José Graziano: “Essa melhoria da alimentação dos pobres é muito bem-vinda, mas tem um custo para o qual os países não estavam preparados.”

Ele lembrou que 19 países da América Latina e do Caribe desenvolvem programas de transferência de renda semelhantes ao Bolsa-Família brasileiro.



 


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