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Rio de Janeiro - O Brasil precisa dobrar o plantio de
cana-de-açúcar para cumprir a meta de produção
de álcool combustível (etanol), estipulada pelo governo, até 2030. A informação
é do presidente da Empresa de Pesquisa Energética
(EPE), Maurício Tolmasquim. A EPE é responsável
pelo planejamento energético de longo prazo no país.
Segundo Tolmasquim, o Brasil produz atualmente 6,9
bilhões de litros de etanol por ano. Para chegar a 13,9
bilhões de litros - a meta para 2030- , deverá dobrar
até lá a produção de cana-de-açúcar
para 1 bilhão de toneladas por ano.
“Nós precisaremos, segundo as projeções,
que são bastante arrojadas, de 14 milhões de hectares
de terras. Isso é o dobro da quantidade de terras que
utilizamos para produção das atuais 495 milhões
de toneladas de cana-de-açúcar por ano”, disse hoje
(10) o presidente da EPE.
Para aumentar a área plantada de cana,
Tolmasquim sugere o aproveitamento de terras destinadas à
pastagem, o que também não pressionaria a área
destinada ao plantio de culturas alimentícias, nem exigiria o
avanço da fronteira agrícola. “A média de gado
por terra [ocupada] é muito baixa”, disse. “Com um pouco
de esforço e otimização do gado, poderíamos
ter 10 vezes mais terras do que a quantidade necessária para o
etanol”. A produção extensiva de gado ocupa, hoje,
210 milhões de hectares.
A pecuária, no estado de São Paulo,
tem, na opinião do presidente da EPE, o melhor aproveitamento
de área/número de cabeças. A média, no
estado, é de 1,4 cabeça por hectare, enquanto no
restante do país, a média é de uma cabeça
por hectare.
"Se o Brasil adotasse o padrão de São
Paulo, teríamos cerca de 70 milhões de hectares, valor
dez vezes maior do que o necessário para a meta de etanol”,
disse.
Ontem (9), o ministro da agricultura Reinhold
Stephanes, havia informado que o zoneamento da cana-de-açúcar
será anunciado pelo governo até julho. O zoneamento vai
definir as áreas em que se pode plantar a cultura. Segundo
Stephanes, a expansão da cana será feita
prioritariamente em terras já degradadas, ou seja, sem a
necessidade de novos desmatamentos.
*Colaborou Luana Lourenço
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