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Brasília - Como enfrentar a
escassez de alimentos e a conseqüente alta nos preços mundiais
sem gerar escassez ainda maior é um dos grandes desafios
atuais, na avaliação da Organização das
Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). O aumento no consumo e a redução da oferta
elevaram o custo dos alimentos em 45% nos últimos nove meses,
dificultando o acesso pelas populações mais pobres.
Com receio do impacto
negativo de medidas pontuais a FAO lançará, nas próximas semanas, um guia de políticas para enfrentar a
crise mundial de desabastecimento. O título provisório da
cartilha é Como Evitar o Pânico.
“Queremos evitar que
nesse momento de crise os países, individualmente, para
salvaguardar a sua soberania e seus interesses, tomem medidas que
possam agravar a crise e tornar a solução ainda mais
difícil”, explicou José Graziano, diretor da FAO para
a América Latina e Caribe. “Há um renascimento do
'dragão' inflacionário em muitos países, o que os obriga a tomar medidas recessivas que podem resultar num
agravamento ainda maior da crise”, acrescentou. Alguns países,
como a Argentina, optaram pela restrição das
exportações – do trigo, no ano passado, e da soja, agora. Outros, segundo Graziano, suspenderam por completo a venda de
alimentos para o mercado externo, com receio do desabastecimento
doméstico.
“Se cada país que produz ou exporta alguma
coisa resolver proibir a exportação porque pode faltar
aquele produto no seu país, realmente vai faltar e vai haver
cada vez mais especulação”, ponderou. Graziano lembrou que uma das
medidas sugeridas pela FAO para o combate à crise é o
apoio à produção de alimentos pelos agricultores
familiares.
“Estamos absolutamente convencidos de que no contexto
latino-americano a oferta de alimentos básicos passa por um
apoio creditício a baixas taxas de interesse, e de longo
prazo, aos menores agricultores, que são os grandes produtores
de leite, batata, arroz, produtos de consumo popular corrente. Não há motivo para estes produtos serem afetados pelo processo especulativo mundial", avaliou.
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