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Brasília - No
Brasil ainda são freqüentes as denúncias de
abuso de poder, prática de tortura e uso excessivo da
força, cometidos principalmente por agentes policiais e
penitenciários. Há carência de leitos para
internação e persistem
as ocorrências de doenças endêmicas como malária,
dengue e febre amarela. O sistema prisional tem um
déficit de cerca de 105 mil vagas.
Esses
são alguns dos apontamentos do relatório que foi
apresentado hoje (11) à Organização das Nações
Unidas (ONU), em Genebra. O documento faz parte do mecanismo chamado
Revisão Periódica Universal, promovido pela ONU para
verificar se os estados que fazem parte da organização
estão cumprindo com suas obrigações na área
de direitos humanos.
O
documento brasileiro também reconhece que a redução
das desigualdades raciais e de gênero persistem e que sua
redução é lenta. Segundo o relatório,
o alcance da plena soberania e segurança alimentar ainda
dependem do fortalecimento da agricultura familiar e da implementação
de programas de segurança alimentar e nutricional para
populações excluídas sócio-economicamente.
A
violência no campo persiste, especialmente as situações
relacionadas com conflitos pela posse e propriedade das terras
rurais. Na educação, os atuais desafios do país
estão na qualidade do ensino ofertado, na redução
da evasão escolar e na baixa escolaridade.
Segundo
o relatório, o Brasil também apresenta graves violações
dos direitos das crianças e adolescentes, ilustradas pelo alto
índice de homicídios juvenis (5,9 mil em 2006), pela
existência de crianças e adolescentes desamparados, pelo
registro de casos de violência doméstica e pelo
encarceramento ilegal de adolescentes em cadeias públicas.
Para
a elaboração do relatório, foram consultados
representantes de organizações da sociedade civil, que
puderam opinar sobre o formato do relatório e os temas
selecionados. A
Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da
República e o Ministério das Relações
Exteriores também requisitaram aos órgãos do
governo informações sobre suas políticas de
promoção e proteção dos direitos humanos.
Como
principais avanços do Brasil na área de direitos
humanos, foram citadas a
criação do Programa Nacional de Segurança
Pública com Cidadania (Pronasci), a condução de
programas de transferência de renda como o Bolsa Família,
a criação do Sistema Único de Saúde e de
órgãos como a Secretaria Especial de Políticas
de Promoção da Igualdade Racial e a Secretaria Especial
de Políticas para as Mulheres.
Segundo o relatório,
a pobreza extrema caiu de 28% para 16% da população
brasileira, entre 1990 e 2005, e a pobreza recuou de 52% para 38% no
mesmo período, devido a políticas inéditas e
unificadas de complementação de renda, investimentos em
serviços universais de saúde e educação,
e busca de crescimento econômico com inclusão social.
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