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Brasília - O
Brasil apresentou hoje (11), em Genebra, na Suíça, aos países que formam
o Conselho de Direitos Humanos da Organização das
Nações Unidas (ONU) um panorama da situação
dos direitos humanos no país. A avaliação faz
parte do mecanismo chamado Revisão Periódica Universal,
promovido pela ONU para verificar se os estados que fazem parte da
organização estão cumprindo com suas obrigações
na área de direitos humanos.
Para o
secretário-adjunto da Secretaria Especial dos Direitos Humanos,
Rogério Sottili, que fez a apresentação do
relatório brasileiro, a receptividade ao documento foi
“excelente”. Segundo ele, os principais pontos destacados pelos
demais países foram a coragem do Brasil de reconhecer suas
dificuldades e a participação da sociedade civil na
elaboração do relatório
Todos
elogiaram a forma como o Brasil construiu seu relatório, de
uma forma extremamente transparente, reconhecendo as dificuldades e
os problemas de violação de direitos humanos que
enfrentamos, mas, acima de tudo, reconhecendo o esforço que o
governo brasileiro vem empenhando para conseguir a promoção
dos direitos humanos”, disse o secretário.
Sottili
disse que, durante as manifestações dos países,
foram feitas recomendações como a melhoria do sistema
penitenciário brasileiro, a redução da
discriminação e a ampliação do acesso à
informação.
Já
Camila Asano, que é assistente do programa de política
externa da organização não-governamental
(ONG) Conectas, ressaltou que os países questionaram o Brasil sobre
as medidas que estão sendo tomadas para o enfrentamento da
tortura e das execuções sumárias no país.
Segundo Camila, o relatório oficial brasileiro não
apresentou dados sobre esses temas que estavam em documentos da ONU e
da sociedade civil.
Os
países mostraram preocupação com os dados apresentados pela ONU e pela sociedade civil e perguntaram
quais as medidas que têm sido adotadas no enfrentamento desses
problemas”, disse. Segundo ela, as principais avaliações
positivas dos demais países foram relacionadas aos programas
sociais brasileiros, como o Fome Zero e o Bolsa Família.
Para a
representante da Conectas, o relatório brasileiro apresentado
na ONU não retratou a realidade brasileira na área de
direitos humanos. “Parece muito mais um relato de políticas
públicas de direitos humano no Brasil do que um
relatório sobre a situação dos direitos
humanos”, afirmou.
A coordenadora de Relações Internacionais da Conectas, Lúcia Nader, que acompanhou a apresentação do relatório brasileiro em Genebra, acredita que as recomendações da ONU ao Brasil seguirão as sugestões de representantes dos países que assistiram à exposição sobre a situação dos direitos humanos no país. Entre elas, destacam-se o combate à discriminação racial, apontada por diversos países, e o combate ao uso excessivo da força por agentes policiais, recomendado por representantes de Gana.
De acordo com Lúcia Nader, o Reino Unido recomendou que o Brasil invista mais em resultados, e não apenas em lançamentos de planos e programas federais; a Venezuela disse que o país deve continuar seus planos de reforma agrária e o Uruguai sugeriu o aperfeiçoamento do sistema prisional. “São recomendações que, se levadas a sério pelo governo brasileiro, podem ter impacto nacionalmente”, afirmou a representante da Conectas.
Segundo ela, ao concluir sua apresentação em Genebra, o governo brasileiro se comprometeu a cumprir as 117 recomendações feitas pelos nove relatores especiais da ONU que visitaram o país desde o ano 2000 e a publicar um relatório anual para sobre a situação dos direitos humanos no país, destinado aos cidadãos.
Na
próxima terça-feira (15), a ONU divulgará um
relatório com recomendações aos países,
que deverão ser transformadas em compromissos voluntários.
“A partir daí, o Brasil fará uma análise e
tomará um posicionamento, se adotará as recomendações
ou fará algumas observações a elas”, informou Sottili.
A matéria foi alterada para acréscimo de informações
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