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Brasília - A Comissão Especial do Estatuto da Igualdade Racial (PL
6264/05) promove esta semana a terceira audiência pública para discutir o
projeto, que estabelece políticas públicas para combater a discriminação e
promover a inclusão dos afrodescendentes no Brasil.
Na semana passada, a comissão ouviu as sugestões do
senador Paulo Paim (PT-RS), do ativista do movimento negro Edson Lopes Cardoso
e da coordenadora do Núcleo de Promoção da Igualdade Racial do Decanato de
Extensão da Universidade de Brasília (UnB), Deborah Silva Santos.
Cardoso apontou o que considera uma falha grave na redação do
estatuto: a ausência da palavra racismo. “Sugiro aos deputados não só a
inserção desta expressão, como a obrigatoriedade de campanhas anti-racistas,
realizadas com parte dos recursos milionários gastos com propaganda oficial em
todos os níveis de governo.”
No Congresso, o ativista sugeriu ainda a criação de mecanismos que garantam o
financiamento das políticas públicas para a população negra. Ele também defendeu
que seja incorporada ao estatuto as propostas aprovadas na 2ª Conferência
Nacional de Políticas para as Mulheres e a Política de Saúde da População
Negra, estabelecida pelo Ministério da Saúde.
“O Estado brasileiro
precisa tomar para si a responsabilidade de combater o racismo. Ele surgiu a
partir de um entendimento de que era vantajoso ter uma diversidade
hierarquizada, brasileiros superiores a outros”, aponta Cardoso.
“Precisamos assegurar o que está previsto no preâmbulo
da Constituição, o pluralismo. Temos hoje 500 mil brasileiros com dupla
cidadania, que votam nas eleições italianas. Enquanto
isso, a maior parte da população vive na subcidadania, sem direito à identidade
originária e direitos sociais básicos.”
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