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Washington (EUA) - O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, advertiu que se o preço dos alimentos se mantiver elevado, muitos países em
desenvolvimento, especialmente na África, sofrerão conseqüências
terríveis. Ele frisou que o problema poderá também criar um
desequilíbrio comercial que terá impacto sobre importantes economias
desenvolvidas.
"Portanto, não é apenas uma questão humanitária", advertiu.
Se a tendência se mantiver em países como Haiti, Egito e Filipinas,
que já sofrem agitação social devido ao aumento do preço dos
alimentos e à falta dos mesmos, "centenas de milhares de pessoas morrerão de fome, e crianças sofrerão de subnutrição", alertou Strauss-Kahn.
Ele deu as declarações numa entrevista coletiva após um dia de reuniões do comitê financeiro e monetário internacional (IMFC, na sigla em inglês), principal órgão consultivo do FMI, sobre a crise financeira
global. Segundo ele, "vários países em desenvolvimento,
especialmente países com baixo rendimento, enfrentam um forte aumento
no preço dos alimentos e combustíveis, que por sua vez têm forte
impacto sobre as camadas mais pobres da população".
O comitê instou o FMI a trabalhar em estreita colaboração com o Banco
Mundial e outras organizações para dar aos países em desenvolvimento o
apoio financeiro e a consultoria de estratégia para enfrentar estes
problemas.
Pouco antes, a ministra alemã para o Desenvolvimento, Heidemarie Wieczorek-Zeul, apelou a um maior controle do
mercado global de biocombustível para evitar que sua expansão aumente
o preço dos alimentos. "É inaceitável que a exportação dos agrocombustíveis seja uma ameaça à
situação de abastecimento de pessoas que já vivem na pobreza".
Ela afirmou que o mundo precisa harmonizar seus
objetivos, incluindo a mitigação das alterações climáticas, segurança
alimentar e desenvolvimento social.
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