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14 de Abril de 2008 - 20h03 - Última modificação em 14 de Abril de 2008 - 20h03


Para Graziano, biocombustível não é único responsável pelo aumento do preço de alimentos

Danilo Macedo e Luana Lourenço
Repórteres da Agência Brasil

 
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Brasília - Os biocombustíveis não são os vilões do aumento dos preços dos alimentos no mundo, de acordo com o representante da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) para América Latina e Caribe, José Graziano.

“Há uma somatória de causas distintas que empurram esses preços e a gente não consegue vislumbrar claramente o fôlego que tem essa alta”, afirmou em entrevista durante a 30ª Conferência Regional da FAO.

Graziano listou a alta nos preços do petróleo, a frustração de safras por causa de condições climáticas adversas e o aumento da demanda por alimentos em países como China e Índia como possíveis responsáveis pelo aumento dos preços de alimentos. Ele afirmou que o enfoque dado às causas da inflação varia de acordo com as “declarações feitas por alguma autoridade importante”.

“Nesse momento o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na Europa e concentrou muitas atenções em torno do Brasil e da proposta de uso dos biocombustíves. Mas há duas semanas o enfoque maior era a alta dos preços do petróleo afetando a agricultura”, comparou.

Na última semana, Lula atribuiu a alta nos preços ao maior consumo de alimentos pelos “milhões de pobres do mundo, que não tinham acesso à comida e estão tendo esse acesso agora”.

Graziano afirmou que a instabilidade dos preços também se deve à falta de investimentos na agricultura, que foi “negligenciada por um bom tempo”. Ele defendeu mais recursos para o setor nos países latino-americanos, com expansão do crédito fomento à pesquisa.

Questionado sobre a competição entre alimentos e biocombustíveis, Graziano afirmou que a compatibilidade da produção depende das características de cada país. O representante da FAO, que é ex-ministro da Segurança Alimentar e Combate à Fome, afirmou que “toda oportunidade traz riscos” e que “a FAO tem recomendado que os países antes de se aventurarem em algumas medidas tenham muito claras as implicações que isso tem para a segurança alimentar”.



 


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