|
Brasília - A 11ª Marcha dos
Municípios a Brasília vai discutir de amanhã
(15) até quinta-feira (17) A Visão dos Municípios
sobre o Pacto Federativo, com enfoque especial na proposta do governo
federal sobre reforma tributária, disse hoje (14) o presidente
da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo
Ziulkoski.
Ele disse que a
proposta enviada ao Congresso Nacional “parte de um diagnóstico
correto sobre as distorções que o atual sistema
tributário causa na economia”, a começar pela guerra
fiscal entre os estados, com prejuízos aos municípios,
e pela apropriação diferenciada do Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na
origem (estado produtor) e no consumo, dependendo da região.
Ziulkoski afirmou que a
diversidade de tributos na esfera federal (PIS/Cofins, Cide, IPI e
salário-educação) “burocratiza a vida das
empresas, gera cumulatividade para o contribuinte e deteriora a base
de cálculo do FPM [Fundo de Participação dos
Municípios] e das transferências para estados e
municípios”.
Ele informou que a
confederação vai apresentar 15 emendas à
proposta. Todas, segundo Ziulkoski, com vistas a fortalecer o pacto
federativo, pois “este é um ponto fundamental para que as
discussões da reforma tributária e a reforma do próprio
setor público avancem”.
Ziulkoski ressalvou que
a proposta “tem muitos pontos positivos”, como a unificação
de quatro tributos federais (PIS/Cofins, Cide, IPI e
salário-educação) em apenas um tributo, o
Imposto sobre Valor Agregado (IVA-F), e a fusão da
Contribuição sobre Lucro Líquido (CSLL) com o
Imposto de Renda, que vai gerar “um IR turbinado”.
Ele destacou ainda como
ponto positivo a preservação do Imposto Sobre Serviços
(ISS) na competência municipal, uma vez que essa taxa responde
por 40% em média da receita própria das prefeituras.
Enfatizou também como “salutar” a migração
da cobrança do ICMS para o estado consumidor, mesmo que a
transição seja gradativa, num horizonte de oito anos, a
partir da aprovação da PEC.
Ziulkoski explicou que
atualmente as alíquotas interestaduais são
diferenciadas de acordo com a região. Nas vendas do
Norte/Nordeste/Centro-Oeste para o Sul/Sudeste, o estado produtor
fica com 12% do ICMS e 5% vão para o local de consumo
(supondo-se alíquota total de 17%); no caso contrário,
de venda do Sul/Sudeste para os demais estados, a retenção
na origem cai para 7% e a unidade consumidora recolhe 10%.
Quando a transição
proposta for completada, adiantou, todos os estados produtores vão
ficar só com 2%, cabendo os outros 15% para o estado
consumidor. Essa simplificação, segundo Ziulkoski,
entender “será boa para todos e eficiente para acabar com a
guerra fiscal”.
Ele ressaltou, porém,
que se deve discutir mais e definir “garantias suficientes” de
que as mudanças serão efetivamente “neutras” para
os entes da federação.
|