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Manaus - A Fundação
Nacional de Saúde (Funasa) inicia nesta semana uma articulação
entre o Exército, a Marinha e a Aeronáutica para
prestar atendimento médico-hospitalar aos índios do
Vale do Javari, no oeste do Amazonas. Participam da Operação
Javari 60 pessoas, entre militares e profissionais de saúde da
Funasa, que estarão a bordo do Navio de Assistência
Hospitalar Oswaldo Cruz, da Marinha.
A maior parte dos
atendimentos deverá ser realizada no próprio navio, até
o início de maio, quando o Oswaldo Cruz retorna a Manaus. A Operação Javari inclui ainda
imunização contra diversas doenças. O Oswaldo
Cruz, um dos três navios de assistência hospitalar da
Marinha, que deixou Manaus hoje (14), dispõe de sala de cirurgia, enfermarias, laboratório
de análises clínicas, equipamentos de raio X, gabinetes
médicos e odontológicos e farmácia.
Segundo
a direção da Funasa no Amazonas, a Operação
Javari permitirá colocar em prática o aprimoramento do
atendimento e da assistência à saúde indígena
na região, sobretudo no que diz respeito a doenças como
malária, tuberculose, hepatites, sarampo e gripe.
O
diretor do Departamento de Saúde Indígena da Funasa,
Wanderley Guenka, informou que o navio chega no dia 21 a Tabatinga, no noroeste do Amazonas. No dia 23, estará no
pólo-base de São Luís, já no Vale do
Javari. De acordo com Guenka, um helicóptero e duas lanchas
serão usados para facilitar o contato da equipe médica
com as populações indígenas, mesmo as mais
afastadas.
No próximo sábado (19), será
lançada campanha de vacinação contra doenças
diversas. A campanha vai durar 15 dias, período em que os
índios poderão contar com outros tipos de atendimentos
voltados ao pré-natal, saúde da mulher, da criança
e do idoso.
Wanderley Guenka disse que a situação
epidemiológica da população indígena do
Vale do Javari justifica a soma de esforços dos envolvidos na
operação. "Trata-se de um território muito
grande, extenso, e com determinadas áreas onde o acesso é
mais complicado. Os rios não são navegáveis o
ano todo, e a dispersão dos povos indígenas nessa área
é de forma irregular." Segundo ele, por conta desses
fatores, a Funasa enfrenta dificuldades para prestar assistência
aos índios e por isso buscou parceria com o Ministério
da Defesa.
O presidente da Coordenação das
Organizações Indígenas da Amazônia
Brasileira (Coiab), Jecinaldo Cabral, destacou que a mobilização
de forças na Operação Javari é um passo
importante para garantir proteção e atenção
à saúde indígena na região. Ele
ressaltou, porém, que a região precisa de mais atenção
do governo federal. A Operação Javari é um
reconhecimento público de que até mesmo a Funasa
necessita de ajuda quando se trata das ações de saúde
voltadas para essa área, disse ele.
"É
claro que a ajuda é bem-vinda, apesar de ser assistencial. É
preciso que o governo brasileiro entenda que a região do
Javari merece atenção especial e que outras operaçòes
já foram realizadas, o que não significou enfrentar o
problema de forma mais consistente e estruturante. É isso que
nós questionamos", afirmou. Jecinaldo espera que a
operação resulte num planejamento de ações
permanentes, indo além do que foi previsto para o mês de
abril.
A região do Vale do Javari tem área
equivalente à do estado de Santa Catarina - 8,5 milhões
de hectares. Aproximadamente 3,7 mil indígenas vivem no local,
incluindo as 48 aldeias das etnias Marubo, Mayoruna, Kanamari, Matis,
Kulina e Korubo, catalogadas pela Funasa, e outros povos de pouco
contato. "Ainda há indícios e evidência de
índios isolados nessa região. Proteger a saúde
dos povos indígenas já conhecidos é, de forma
indireta, proteger também os povos isolados", concluiu
Guenka.
Atualizada para correção da localização do Vale do Javari.
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