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Brasília - Acampados no canteiro central da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, os cerca de
700 indígenas de etnias de todas as regiões do país,
que estão em Brasília para o movimento Abril Indígena,
elegeram a aprovação do Estatuto dos Povos Indígenas
como prioridade da pauta de reivindicações que será
discutida ao longo da semana e apresentada a representantes do
Congresso, do Executivo e do Judiciário.
Hoje
(15), representantes dos índios debateram sobre a necessidade da criação de um marco regulatório
para as políticas públicas para os povos indígenas,
pleiteado desde a promulgação da Constituição. Os índios promovem o Acampamento Terra Livre 2008, manifestação que segue até
sexta-feira (18).
Um
projeto de lei de 1991 prevê a criação do estatuto. Em junho de 1994, uma comissão especial, criada na
Câmara para apreciar a matéria, juntou outros projetos ao original. Depois, a liderança do PSDB entrou com recurso para que o
substitutivo passasse por votação em plenário, o
que ainda não ocorreu depois de 13 anos de tramitação.
O texto
trata de questões como autonomia dos povos
indígenas, exploração dos recursos naturais
existentes nas terras homologadas e direitos de propriedade
intelectual das culturas tradicionais, por exemplo.
Para o
cacique Marcos Xucuru, membro da Comissão Nacional de Política
Indigenista (CNPI), falta vontade política e articulação
para aprovar o estatuto. “O estatuto permanece parado porque há várias
forças contrárias, principalmente por causa de questões
econômicas. Nós não temos maioria, nem uma bancada
forte para garantir a defesa dos povos indígenas no
Congresso”, afirmou.
Xucuru
acusa alguns parlamentares de adotarem a estratégia de
desvincular alguns temas do estatuto e votá-los em projetos
separados. Um exemplo que o líder indígena cita é artigo que trata da mineração em terras
indígenas. “Há a intenção de esvaziar
o estatuto, pegando o que interessa ao poder econômico, para
atender a grupos específicos, como madeireiros e mineradores”, lamenta.
De acordo
com o cacique, as lideranças estão dispostas a repetir
a estratégia utilizada durante a Assembléia
Constituinte de 1988, para garantir avanços na tramitação
do texto. “Vamos retomar a mobilização feita na época
da Constituição de 1988, ou seja, garantir um grupo de
lideranças indígenas aqui em Brasília fazendo
lobby constantemente e dando visibilidade a essa dívida
histórica que o país tem com os povos indígenas”, anunciou. Outra
reivindicação do Abril Indígena é a
criação do Conselho Nacional de Política
Indigenista, que substituiria a Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI). A principal
demanda é que, ao contrário da comissão, o novo órgão
tenha atuação deliberativa e não apenas consultiva.
“Com
a participação efetiva e de forma paritária do
governo e dos povos indígenas, e, com poder de deliberação,
ele servirá para elaborar, discutir, analisar e encaminhar a
execução de políticas públicas em vários
níveis, como educação, cultura e fortalecimento
dos povos indígenas”, argumentouo o coordenador-geral da
Coordenação das Organizações Indígenas
da Amazônia Brasileira (Coiab), Gecinaldo Sateré-Maué.
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