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15 de Abril de 2008 - 20h35 - Última modificação em 15 de Abril de 2008 - 20h35


Dirigente de conselho de medicina defende política pública de interiorização da saúde

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - O 1º vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto Luiz D’Avila, defendeu hoje (15) a elaboração de uma política pública de interiorização da estrutura de assistência à saúde. Para D´Ávila, não há falta de médicos no país e, sim, uma distribuição bastante irregular desses profissionais. Segundo ele, o Brasil possui 174 escolas de Medicina, que formam a cada ano cerca de 15 mil médicos.

“Você tem que levar as condições mínimas de infra-estrutura para dar um atendimento de qualidade, com uma equipe multiprofissional, com condições para que o médico também consiga fazer uma educação continuada, que possa freqüentar congressos. Ou seja, você tem que criar uma carreira, um plano de cargos e salários e carreira para que o médico possa se dispor a ir para o interior”, sugeriu.

Para o dirigente do CFM, a falta de estrutura de saúde decorre da ausência do Poder Público, que deveria criar um plano de carreira para os médicos igual ao da magistratura ou do Ministério Público.

“Isso não é impossível. Não é difícil. É uma questão de vontade política. O Brasil precisa não é de mais médicos, mas sim de bons médicos e uma melhor distribuição desses médicos no território brasileiro”.

Estudo divulgado hoje pela Fundação Getulio Vargas (FGV) confirma que o problema mais grave no Brasil é que os profissionais médicos estão mal distribuídos pelo país.

Segundo o levantamento, o estado do Rio de Janeiro e o Distrito Federal apresentam os maiores índices de médicos por habitante: o primeiro com um médico para cada grupo de 299 habitantes e o segundo com 292 habitantes por profissional.

Em entrevista à Agência Brasil, D´Avila afirmou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza desde a década de 80 que haja “no mínimo um médico para cada mil habitantes”. A pesquisa da FGV, com dados relativos a 2005, revela que havia naquele ano um médico para 595 habitantes no Brasil.

O vice-presidente do CFM afirmou que no Nordeste brasileiro há uma grande concentração dos médicos nas capitais e na faixa litorânea, deixando a região agreste sem profissionais. Ele citou o caso de Maceió (AL), que tem 92% dos médicos do estado, enquanto apenas 8% estão na Zona da Mata e muitos poucos no sertão. “Nosso grande problema não é a falta de médicos. No Brasil não faltam médicos”, assegurou.

De acordo com o dirigente, na próxima quinta-feira (17), os médicos irão realizar um ato público no Congresso Nacional com o objetivo de chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas pela saúde pública. Eles reivindicam a regulamentação da Emenda Constitucional 29 (que assegura percentuais mínimos que deverão ser investidos em saúde pública pela União, pelos estados e municípios), ainda não aprovada pelo Congresso.

A interiorização dos médicos e a melhoria da estrutura de atendimento à saúde estão incluídas na pauta de reivindicações.

“Nós defendemos que a assistência de qualidade não se faz somente com médico. Mas se faz com uma equipe multiprofissional, com infra-estrutura, com a questão da referência e das contra-referências, que é ter um lugar para transferir os pacientes graves que você não consegue resolver naquela localidade porque ela é pequena e não tem os recursos mais avançados. Tudo isso faz parte dessa luta em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirmou.

 


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