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Manaus - A elevação da taxa básica de juros (Selic) não foi uma surpresa
para o setor industrial de Manaus. Segundo o diretor-executivo do
Centro da Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), Ronaldo
Mota, o aumento de 0,50 ponto percentual anunciado hoje (16) pelo
Comitê de Política Monetária (Copom) era
esperado, sobretudo, por causa de fatores externos, como a crise
econômica dos Estados Unidos.
Apesar da preocupação
por parte da classe empresarial - que defendia a redução
Selic como forma de baratear os empréstimos bancários
para investimentos no setor produtivo -, Mota acredita que, pelo
menos inicialmente, a novidade não deve trazer impactos
negativos para o Pólo Industrial de Manaus, onde estão
instaladas cerca de 500 indústrias.
"Nesse primeiro
momento, isso não deve impactar nas indústrias, porque
o consumo está alto para todos os setores. Diante da atual
estabilidade econômica do país, é natural que
haja o medo de que a inflação volte a galopar como em
alguns anos atrás", declara.
Para o economista e
professor da Universidades Federal do Amazonas (Ufam) Rodemarck
Castelo Branco, o aumento da taxa básica de juros pode
diminuir o consumo de alguns produtos fabricados no Pólo
Industrial de Manaus (PIM), como bicicletas, motos e televisores.
Em entrevista à
Agência Brasil, Branco ressaltou que o crescimento da
inflação no país nas últimas semanas é
reflexo de uma situação internacional que está
ocorrendo em vários países. Por isso, na sua opinião,
esse não seria o momento ideal para aumentar a taxa de juros.
Entre essa situação, destaca, está a crise
econômica dos Estados Unidos e o aumento do preço dos
alimentos no mundo.
"Eu estou entre
os que acreditam que o aumento da inflação no país
é reflexo de uma crise internacional que também é
responsável, por exemplo, pelo aumento do valor de produtos
agrícolas com cotação internacional. Em nível
local, o aumento da taxa de juros irá afetar os financiamentos
para compra de bens de consumos duráveis, entre os quais
alguns fabricados na Zona Franca de Manaus", analisa
Branco.
Ainda segundo o economista e professor da Ufam, a
situação ideal para a economia amazônica seria
que houvesse mais uma reunião do Copom, para ver como se
comporta a inflação, mantendo as taxa Selic no nível
atual. "Até então, Amazonas e Pará, por
exemplo, estavam aumentando as exportações e a elevação
da taxa de juros poderá causar a diminuição
nesses índices também, já que, apesar da
situação também poder nos levar a uma
valorização da moeda nacional, o exportador vai sair
perdendo porque vai receber menos pelo que está vendendo",
acrescentou.
Para o presidente do
Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon), Sylvio Puga, o
impacto da elevação da Selic no consumo dos produtos
originários do PIM deve se dar a longo prazo. Em sua
avaliação, de forma geral, o aumento na taxa de juros
não é desejável pela sociedade, porque nos
países desenvolvidos o crescimento econômico é
impulsionado pelas baixas taxas de juros.
"A elevação
da Selic representa a alta dos custos financeiros para as empresas e
para as pessoas físicas. Considerando que a variação
deve se dar num pequeno percentual, esse impacto deve também
acontecer de forma proporcional nas empresas e na sociedade. Num
curto prazo de tempo, esse impacto é diluído pelo
próprio valor que está sendo aumentado", comentou
Puga.
Ainda de acordo com o dirigente do Corecon/AM, o atual
cenário econômico mundial deve ser acompanhado pelo
Banco Central, de forma que o Brasil esteja em constante alerta para
os possíveis desdobramentos desse situação no
mercado interno. "Interessa para a autoridade monetária,
ou seja, para o Banco Central, que as taxas de juros sejam
compatíveis com o crescimento econômico, desde que se
acompanhe o ritmo inflacionário, já que a inflação
tem efeitos danosos sobre todas as classes da sociedade", disse
Puga.
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