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16 de Abril de 2008 - 09h42 - Última modificação em 16 de Abril de 2008 - 22h47


Solo paraguaio não está mais à disposição de agricultores brasileiros

Ana Luiza Zenker
Enviada Especial

 
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Antonio Cruz/ABr
San Alberto (Paraguai) - O prefeito Romildo Maia é brasileiro, está no segundo mandato e chegou ao Paraguai em 1970, acompanhado pelos pais e irmãos
San Alberto (Paraguai) - O prefeito Romildo Maia é brasileiro, está no segundo mandato e chegou ao Paraguai em 1970, acompanhado pelos pais e irmãos
San Alberto (Paraguai) - Cerca de 90% dos 15 mil habitantes de San Alberto são brasileiros. Na cidade, as placas são escritas em português, idioma que se ouve em qualquer esquina ou estabelecimento. Até o prefeito, Romildo Maia, é "importado". Nasceu no Paraná. O irmão Renilson é de São Paulo. Eles chegaram a San Alberto em 1970 com os pais e oito irmãos, em busca de terra fértil e barata, coisa que atualmente não está à disposição com a mesma fartura.

“Foi muito difícil porque na época não tinha estrutura nenhuma”, conta Renilson, o mais velho. A estrada só foi asfaltada depois do início da construção da Usina Hidrelétrica Binacional de Itaipu, na década de 1970, e a cidade foi fundada em 1993.

Hoje, além das terras e da empresa que tem com o irmão, Romildo Maia está no segundo mandato na prefeitura do município. “Posso dizer que mudou da água para o vinho. Praticamente viemos sem nada. A gente tinha dez hectares de terra. Hoje a gente está bem financeiramente e, graças a esse país com essa terra produtiva e aos anos bons de colheita, a gente está trabalhando, progredindo”, diz Romildo.

Renilson Maia diz que os brasileiros geralmente não querem participar da vida política no Paraguai. “O brasileiro que está aqui não se interessa pela política. Ele prefere ficar de fora e isso muitas vezes é ruim para os próprios brasileiros mesmo”, diz.

Um dos principais atrativos para os brasileiros, desde que o presidente Alfredo Stroessner começou a incentivar a imigração para colonizar o Paraguai, nas décadas de 1960 e 1970, tem sido o preço pago pela terra, mais baixo do que no Brasil.

Segundo cálculos do agricultor Adelar Birk, que trabalha na cidade vizinha de Mbaracayú, com base nos valores da soja produzida, um hectare no Paraguai custa cerca de R$ 10 mil, enquanto no Brasil se pode pagar em torno de R$ 25 mil.

Birk acredita, no entanto, que agora já não existe muito espaço para novos colonos no país. “O brasileiro veio para colonizar o Paraguai e abrir novas fronteiras e hoje eu acredito que não tenha muita oportunidade mais. A oportunidade hoje é para quem está aqui, progredindo na agricultura”.

Opinião semelhante tem o engenheiro agrônomo brasileiro Edson da Silva. Formado no Brasil e morador de Foz do Iguaçu, na fronteira com Cidade do Leste, ele diz que hoje os brasileiros não vão mais colonizar o Paraguai, mas explorar o mercado de trabalho.

Ele conta que esse mercado tem se mostrado promissor para quem tem curso superior, já que falta mão-de-obra paraguaia especializada para trabalhar no país, principalmente nas grande propriedades produtoras de soja, milho e trigo, principais produtos de Alto Paraná, Itapua e Canindeyú, as áreas com a maior concentração de brasileiros.

Há seis anos Edson cruza a fronteira para trabalhar num mercado que pode chegar a pagar US$ 40 mil por ano. “Para o profissional agrônomo o Paraguai é um mercado muito vantajoso, porque o pessoal do Brasil que se forma tem uma disposição, tem uma vontade de trabalhar muito maior”, diz ele, que tem carteira de imigrante, carteira de motorista e carro com placa do Paraguai.


 


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