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Brasília - Trabalhadores brasileiros e de cinco países (Canadá, Rússia,
Bolívia, Colômbia e Venezuela) realizaram hoje (16)
manifestações contra a Ação Direta de
Inconstitucionalidade (Adin) movida pela Associação
Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra)
que questiona a Lei 9.055/95, que autoriza o uso do amianto
no país. O Brasil possui a terceira maior mina de amianto do
mundo, o parque industrial da Sama, localizado em Minaçu (GO).
Para o vice-presidente da Comissão Nacional dos
Trabalhadores do Amianto Crisotila, Adilson Santana, a proibição
e o fim da utilização das minas podem deixar cerca de 170 mil
trabalhadores desempregados. Ele defende que
a atividade do amianto crisotila gera emprego, renda e ações
sociais não só para o município de Minaçu,
mas para o estado de Goiás e para o Brasil. Santana também
afirma que o minério não oferece riscos à saúde,
pois, atualmente, o uso é controlado.
“Trabalhar com
amianto não oferece mais risco para ninguém. Nem para os
trabalhadores nem para a população. Não existe
essa de que temos que proibi-lo porque ele mata, porque agride. A
realidade de hoje não é mais a realidade que a gente tinha
nos anos 80. Os trabalhadores ficavam expostos à poeira do
amianto, e não podiam. Em função disso, alguns
trabalhadores tiveram algum tipo de problema de saúde devido à
falta de controle no passado”, afirma.
Entretanto, de
acordo com o presidente da Anamatra, Cláudio Montesso, estudos
da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam
que a exposição ao minério causa danos
irreversíveis à saúde como tumores e doenças
pulmonares. “É bom lembrar que o aparecimento dessas doenças
demanda tempo, não é algo que surja com apenas um ou
dois anos de contato. Isso leva algum tempo, por isso, é
importante prevenir cedo”, diz.
Esta, segundo ele, é
a principal causa do pedido de Adin ao Supremo Tribunal Federal
(STF). Montesso conta que o número de ações
indenizatórias que tramitam na Justiça do Trabalho,
devido à exposição ao minério, é
muito grande.
Ainda não há data definida para o julgamento da Adin. Mas,
caso seja aceita, segundo Montesso, provavelmente não haverá
mais mercado para o amianto no país e o parque industrial
seria fechado.
“Nesse caso,
teremos que fazer algum tipo de atuação compensatória
na vida desses trabalhadores como projetos que absorvam a mão
de obra, e mantenham a atividade local. Nos casos de produtos que
levam amianto no processamento, como os materiais de construção,
já existem fibras que podem substitui-lo, como o
polipropileno”, disse.
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