|
Rio de Janeiro - O economista da Universidade Federal do Rio de
Janeiro Reinaldo Gonçalves disse hoje (16) que não
havia necessidade de aumentar a taxa básica de juros, uma vez
que a inflação brasileira é mais ligada ao custo
do que à demanda.
Para ele, ao contrário de elevar a Selic em
0,50 ponto percentual como fez hoje (16), o Comitê de Política
Monetária do Banco Central (Copom) poderia optar pelo aumento
do depósito compulsório. “Ou seja, reduzir a base de
expansão de crédito”, explicou.
Na visão de Gonçalves,
o aumento seria uma alternativa somente se fosse registrada no país
uma pressão inflacionária muito forte, “o que não
é verdade”. O economista afirmou que a elevação
da taxa de juros mostra a inconsistência macro-econômica
do governo Lula. “Porque, ao mesmo tempo em que você está
aumentando a taxa de juros, você está mantendo uma
expansão de crédito muito forte na economia
brasileira”.
Segundo o economista, os impactos
poderão ser observados pelas pessoas endividadas, que verão
a renda cair. A expectativa em termos de investimentos e gastos
também se deteriora, apontou Gonçalves.
“Sinaliza [o aumento da taxa
Selic] mais uma vez aquela história do vôo da galinha. A
economia cresce, tem uma pressão inflacionária e os
juros voltam a subir. É aquela gangorra. Juros caem, a renda
sobe. Aí, os juros sobem e a renda cai. Isso deteriora muito
as expectativas em relação à economia
brasileira”, registrou.
Reinaldo Gonçalves disse,
ainda, que o aumento dos juros mantém o mecanismo de atração
de capital de curto prazo especulativo para o Brasil, deixando o
dólar num patamar artificialmente muito baixo e prejudicial à
atividade produtiva.
|