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17 de Abril de 2008 - 20h07 - Última modificação em 17 de Abril de 2008 - 20h07


Mercosul é a última fronteira agrícola do mundo, diz embaixador

Vladimir Platonow
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - O aumento na demanda mundial por comida pode fazer dos países do Mercosul o grande celeiro do planeta. Donos de invejáveis extensões agricultáveis, a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai representam a última fronteira agrícola da terra e podem se beneficiar da tendência do mercado por mais alimentos, o que tem causado recentes altas nos preços agrícolas, levando a crises em alguns países.

A análise foi feita hoje (17) pelo embaixador José Botafogo Gonçalves, durante o seminário Brasil, Ameaças a sua Soberania, que prossegue até amanhã (18), no Clube do Exército, no Rio de Janeiro.

Botafogo Gonçalves afirmou que a maior parte dos países já está com sua fronteira agrícola limitada ou em decadência, na contramão do aumento da necessidade por comida, gerado pela ascensão econômica de milhões de pessoas, principalmente no Brasil, na China, na Índia e em países do sudeste da Ásia.

“A América do Norte está totalmente ocupada e já não tem terra disponível, com o envenenamento da água no subsolo. A Europa não tem espaço, a China tem muito pouca terra agricultável, com muito deserto e pouca água. A Rússia é gelada e o Japão não tem território. Aqui na América Latina, os países do Mercosul têm potencial agrícola e terras disponíveis”, afirmou.

Para o ex-embaixador do Brasil na Argentina, que acompanhou de perto a integração do Mercosul, o aumento do consumo de alimentos é irreversível e a região tem que construir uma estratégia de expansão econômica baseada no potencial agrícola, o que, segundo ele, requer pensamento estratégico de médio e longo prazos, que inclusive compatibilize a produção de alimentos com a geração de energia dos biocombustíveis.

Botafogo Gonçalves disse que diante das “novas” riquezas do Brasil, como as recentes descobertas de petróleo, abundância de recursos hídricos e potencial agrícola, é necessário rever e modernizar o conceito de soberania nacional.

“Auto-suficiência não é garantia da soberania e pode ser até um prejuízo para ela. Os países desenvolvidos não são  auto-suficientes, mas não têm a soberania abalada”, disse.

Segundo o embaixador, é preciso reaparelhar as Forças Armadas para garantir proteção desses recursos, porém ele considera precipitada a idéia de se criar uma força de defesa conjunta da América do Sul. “Eu acho prematuro fazer uma política de integração só de segurança, porque os interesses não são coincidentes”.

 


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