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Rio de Janeiro - O aumento na demanda mundial por comida pode fazer dos
países do Mercosul o grande celeiro do planeta. Donos de invejáveis extensões
agricultáveis, a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai representam a última
fronteira agrícola da terra e podem se beneficiar da tendência do mercado por
mais alimentos, o que tem causado recentes altas nos preços agrícolas, levando
a crises em alguns países.
A análise foi feita hoje (17) pelo embaixador José Botafogo
Gonçalves, durante o seminário Brasil, Ameaças a sua Soberania, que prossegue
até amanhã (18), no Clube do Exército, no Rio de Janeiro.
Botafogo Gonçalves afirmou que a maior parte dos países já
está com sua fronteira agrícola limitada ou em decadência, na contramão do
aumento da necessidade por comida, gerado pela ascensão econômica de milhões de pessoas,
principalmente no Brasil, na China, na Índia e em países do sudeste da Ásia.
“A América do Norte está totalmente ocupada e já não tem
terra disponível, com o envenenamento da água no subsolo. A Europa não tem
espaço, a China tem muito pouca terra agricultável, com muito deserto e pouca
água. A Rússia é gelada e o Japão não tem território. Aqui na América Latina,
os países do Mercosul têm potencial agrícola e terras disponíveis”, afirmou.
Para o ex-embaixador do Brasil na Argentina, que
acompanhou de perto a integração do Mercosul, o aumento do consumo de alimentos
é irreversível e a região tem que construir uma estratégia de expansão
econômica baseada no potencial agrícola, o que, segundo ele, requer pensamento
estratégico de médio e longo prazos, que inclusive compatibilize a produção de
alimentos com a geração de energia dos biocombustíveis.
Botafogo Gonçalves disse que diante das “novas” riquezas do
Brasil, como as recentes descobertas de petróleo, abundância de recursos
hídricos e potencial agrícola, é necessário rever e modernizar o conceito de
soberania nacional.
“Auto-suficiência não é garantia da soberania e pode ser
até um prejuízo para ela. Os países desenvolvidos não são auto-suficientes, mas não têm a soberania abalada”, disse.
Segundo o embaixador, é preciso reaparelhar as Forças
Armadas para garantir proteção desses recursos, porém ele considera precipitada a
idéia de se criar uma força de defesa conjunta da América do Sul. “Eu acho
prematuro fazer uma política de integração só de segurança, porque os
interesses não são coincidentes”.
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