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Foz do Iguaçu (PR) - Cidade do Leste (Paraguai) e Foz do Iguaçu (Brasil) são duas cidades que podem ser consideradas uma só. É assim que o prefeito
de Foz do Iguaçu (PR), Paulo Mac Donald Ghisi, descreve o
relacionamento do município com a cidade paraguaia vizinha. “Foz é
base para escolas, médicos, dentistas, serviços bancários,
restaurantes, para lazer dos paraguaios e também dos brasiguaios”, diz.
A ligação das duas cidades é a Ponte da Amizade. Cerca de 7 mil
brasileiros trabalham em Cidade do Leste e outros tantos vão ao
Paraguai em busca de produtos importados com preços mais baratos do que
os encontrados no Brasil. São os chamados sacoleiros, que compram
material importado no Paraguai e revendem no Brasil.
Com o objetivo de legalizar esse comércio e também aumentar a
arrecadação, a prefeitura de Foz apóia o Regime Tributário Unificado
(RTU), em tramitação no Congresso. Na opinião de Ghisi, o
novo regime é a saída para legalizar a atividade dos chamados
sacoleiros.
“Não pode se omitir pura e simplesmente e ignorar a existência de
centenas de milhares de brasileiros que vivem de produtos importados”,
afirma. Por um lado, ele argumenta, “você não pode ignorar, deixar que
exista, isso gera um mar de corrupção, de desvios, por um outro lado,
proibir, tirar renda de milhares, também não é justo”.
Segundo o prefeito brasileiro, desde 2005, quando o combate ao
contrabando ficou mais forte na Ponte da Amizade, já foram presos milhares de ônibus e de carros de passeio. Dados da
Receita Federal mostram que em 2007 as apreensões na Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina) passaram
dos US$ 77,658 milhões. Nos três primeiros meses deste ano, esse valor
chegou a US$ 19,147 milhões, a maior parte em veículos (US$ 7,39
milhões), eletrônicos (US$ 2,65 milhões) e cigarros (US$ 2,16 milhões).
Do outro lado do Rio Paraná, a prefeita de Cidade do Leste, Sandra
McLeod, afirma que praticamente todo o contrabando que passava pela
ponte não existe mais. “Posso dizer que depois de uns seis
anos de trabalho conjunto, esse contrabando já foi quase eliminado, mas
não posso dizer que não existem portos clandestinos que devem ser
combatidos pelos dois governos”, diz.
Com o comércio legal, Cidade do Leste arrecada cerca de 48% do
orçamento geral do Paraguai. Por causa dessa importância econômica, a
prefeita afirma que espera mais atenção do próximo governo para a região.
“Queríamos que o governo central tivesse muito mais interesse, que
desse mais importância a esta região, em todos os sentidos, na parte
social, econômica, que tenhamos apoio para nosso relacionamento
internacional, com o Brasil e com os outros países do Mercosul”.
Neste domingo (20), os paraguaios vão às urnas para eleger um novo
presidente, governadores, deputados federais e estaduais, senadores e
os membros paraguaios no Parlamento do Mercosul.
  
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