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Brasília - O presidente da Fundação Palmares, Zulu
Araújo, enviará um relatório para a comissão especial da Câmara que
analisa o Estatuto da Igualdade Racial com considerações sobre o projeto. Segundo ele, o texto possui uma falha que considera relevante. O estatuto não prevê o processo de certificação
das comunidades quilombolas, hoje a cargo da fundação e prevista em decreto presidencial.
“A exclusão da certificação feita pela [Fundação] Palmares
enquanto mecanismo inicial de acesso a bens e serviços é um equívoco. A
demarcação e titulação são processos complexos, com demanda judicial, e demoram
mais. Com a certificação, o Estado já pode oferecer serviços públicos
essenciais para a sobrevivência dessas comunidades”, explicou Zulu, na audiência pública da comissão, realizada ontem (17).
No entanto, para o presidente da Fundação Palmares, é possível aprovar o
Estatuto da Igualdade Racial com a redação atual para que ele não tenha que
retornar ao Senado. A modificação sugerida poderia ser feita por
emenda ou decreto presidencial posterior.
“O Estatuto precisa de ajustes posteriores. Mas
está pronto para ir a plenário. O fundamental é a aprovação ainda este ano,
de preferência no primeiro semestre.”
Atualmente, segundo Zulu, existem 1,2 mil
comunidades remanescentes de quilombos certificadas, ou seja, com
auto-reconhecimento cultural avaliado e aprovado pela Fundação Palmares. Dessas
comunidades, apenas 82 já foram tituladas no plano federal.
Cerca de 200 comunidades foram demarcadas e tituladas em
iniciativas de órgãos federais e estaduais. As organizações
quilombolas e pesquisadores estimam em 3 mil o número de comunidades no Brasil.
A maior parte sem infra-estrutura básica, sistema de esgoto, escolas e postos
de saúde.
“Lamento que ainda tenhamos de explicar para os
meios de comunicação que os quilombolas precisam ser reparados, que eles
existem. Parece um conto kafkaniano. Nenhum quilombola foi fazer piquenique
para ficar em uma área tão longe geograficamente, tão sem acesso aos bens e
serviços”, avalia o presidente da Fundação Palmares.
“Não sei como 2,4 milhões de quilombolas, a
maior parte deles vivendo em lugares tão recônditos, muitos ainda utilizando o
escambo como sistema econômico, podem causar uma intranqüilidade tão grande a
uma determinada elite, que chega a negar a existência e os efeitos anticivilizatórios
de 400 anos de escravidão.”
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