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São Paulo - As vítimas de violência doméstica
na cidade de São Paulo já têm atendimento
jurídico gratuito à disposição nas Casas
de Referência e Centros de Cidadania da Mulher. Desde o último
dia 1º, 28 defensores públicos estão atendendo
terças e quintas-feiras, das 8h às 12h, nas oito
unidades existentes no município. O objetivo é auxiliar
as mulheres e dar tratamento adequado para cada caso. O serviço
é resultado de um convênio entre a Secretaria Municipal
de Participação e Parceira e a Defensoria Pública
do Estado.
De acordo com informações da
Coordenadoria da Mulher da Secretaria de Participação e
Parceria, cerca de 2 mil mulheres – entre vítimas de
violência doméstica e outros casos – são
atendidas por ano em cada um dos cinco Centros de Cidadania da Mulher
da cidade. Já nas Casas de Referência, esse número
chega anualmente a 3.700 na Casa Brasilândia e a 2.500 na Casa
Eliane de Grammont. A terceira casa, no centro da capital, foi
inaugurada este ano e ainda não tem dados suficientes sobre o
número de atendimentos.
Segundo a coordenadora da Coordenadoria da Mulher
da Secretaria de Participação e Parceria, Mariluce
Faria, a presença do defensor público nos centros de
referência permite a realização de um trabalho
multidisciplinar. Ao chegar nas unidades, a vítima de
violência passa por uma triagem, que inclui entrevistas com
assistentes sociais e psicólogos que avaliam o caso e a
necessidade de encaminhamento para o defensor público.
“O objetivo é somar esforços para
implementar a Lei Federal 11.340, a Lei Maria da Penha, aprovada em
2006. Ela foi criada para amparar a mulher em situação
de violência e estabelecer mecanismos para punir, coibir e
prevenir a violência, tirando-a da rota crítica do
crime”, disse Mariluce. “Hoje, a mulher vai para várias
instituições e não é atendida
adequadamente. Por isso, acaba desistindo de procurar ajuda. Com a
presença do defensor público nos centros de referência,
uma medida que demoraria semanas para ser tomada ocorre muitas vezes
no primeiro atendimento.”
A iniciativa é importante, enfatizou
Mariluce, porque o defensor público está no lugar onde
as vítimas moram e acabam convivendo com a comunidade. Para
atender adequadamente aos casos de violência doméstica,
acrescentou ela, todos os setores devem trabalhar em sintonia. “Cada
órgão tem que cumprir sua competência para dar o
atendimento adequado e fazer sua parte para ajudar a romper o ciclo
da violência. Quando ela mulher procura ajuda e não
consegue, sofre a violência institucional.”
Para a defensora pública Priscila Simara
Novaes, que atende na Casa Eliane de Grammont, zona sul da capital, o
trabalho é importante porque as mulheres que buscam os centros
de referência muitas vezes não conhecem seus direitos e
têm vergonha ou receio de procurar delegacias ou advogados. “A
mulher vem em busca de consolo emocional ou outra alternativa, porque
ela se sente muito perdida e sozinha nesses casos de agressão.
Aqui, elas têm apoio emocional e conseguem ter lucidez para
falar, contar sua história, colocar tudo no papel e até
pedir o afastamento do agressor”, comentou a defensora pública.
Na maioria das vezes, destacou Priscila, as
mulheres precisam de uma medida cautelar imediatamente. Nesses casos,
os defensores públicos já dão entrada no
processo no mesmo momento. O processo é encaminhado ao prédio
da Defensoria Pública, no bairro da Liberdade, e passa a ser
acompanhado pela própria vítima. “Damos continuidade
ao trabalho iniciado aqui na casa. Começamos com o emocional e
terminamos no Judiciário, porque muitos assuntos precisam
dessa resposta, como pensão, visita aos filhos, alimentos ou
mesmo separação”.
Quando não havia atendimento nas casas de
referência e centros de cidadania, a vítima era
encaminhada à unidade da Liberdade, na região central
da capital. Isso dificultava o atendimento, porque a triagem era
feita no meio de inúmeros casos de toda natureza, o que é
mais demorado. “Às vezes, elas têm um problema sério
e urgente que não pode ser tratado ali na hora. Aí são
encaminhadas para outros setores e desistem no meio do caminho porque
vêem que não têm resultado. Como já
começamos o processo, elas vêem o resultado mais rápido,
mesmo que no Judiciário demore um pouco mais”, completou a
defensora pública.
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