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Brasília - Líderes indígenas que participaram na última semana de manifestações
em Brasília dentro da programação do 5º
Acampamento Terra Livre entendem que um projeto de regulamentação
da atividade mineradora em suas terras (substitutivo ao Projeto de Lei 1.610/ 1996), em discussão no
Congresso, não pode ser apreciado sem a aprovação
do Estatuto do Índio, com tramitação paralisada
há 13 anos.
“Se para construir a
proposta [de mineração] não fomos consultados,
imagine após a aprovação disso. O governo diz
que os índios vão ter uma parcela de royalties, mas não
é isso que a gente quer. Nós queremos trabalhar todas as
questões unificadas dentro do Estatuto dos Povos Indígenas”,
afirmou o vice-presidente da Coordenação da
Organizações Indígenas da Amazônia
Brasileira (Coiab), Marcus Apurinã.
Segundo o dirigente da
Coiab, os índios só são chamados nas discussões
do projeto de mineração quando há audiências.
“Não dá para engolir uma proposta goela abaixo porque
o governo ainda não reconheceu a responsabilidade dele com os
povos indígenas.”
Apurinã também
negou que a resistência dos indígenas ao projeto esteja
atrelada à influência de organizações
não-governamentais (ONG´s) estrangeiras sobre as comunidades. “A
gente é bastante soberano e vamos brigar para ficar com nosso
território toda vida. ONG nenhuma vai fazer cabeça de
líderes indígenas para que tenhamos um país à
parte do Brasil”, concluiu.
O dirigente da Coiab reconheceu, entretanto, que as
comunidades pedem apoio financeiro às ONG´s estrangeiras “para
ajudar a preservar nossos animais e florestas, porque o governo, em
geral, não tem recursos para nós”.
A proposta em tramitação prevê uma consulta prévia aos indígenas para saber se eles querem ou não extrair minério em suas áreas. Se a extração for aceita pela comunidade, uma licitação definirá qual empresa ficará com a concessão de extração. Associações indígenas também poderiam participar das licitações para a exploração de minério em suas áreas. Em audiência com
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os índios ressaltaram que a proteção
que fazem em suas terras é a responsável por evitar que
o desmatamento chegue em muitos locais da Amazônia. “Hoje só
tem castanheira, mata e biodiversidade na floresta nas terras
indígenas”, argumentou Apurinã.
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